Dizia eu certa manhã ao meu homem que não tinha dúvidas que a melhor música de todos os tempos é a Hallelujah do Leonard Cohen.
Teve o desplante aquele senhor de me dizer que não, que o Leonard Cohen era bom era para as insónias... Mais, teve o distinto descaramento de me dizer que preferia, "de longe", hã, "de longe", a versão do Rufus Wainwright.
Pois que com certeza tivemos logo ali as couves pegadas ao pote... Uma discussão interessantíssima, de um nível que nem queirais saber: argumentava eu: "olha que não, olha que não", contra-argumentava ele: "olha que não tu, olha que não tu"....
Nisto, e toda lampeira no ai-já-vais-ver-o-que-é-bom-para-a-tosse atiro-lhe com um: "Bom, tu é que sabes mas olha que é uma verdade universal aquilo do não se amar quem não ouve a mesma canção." Nisto, e estupefação das estupefações, responde-me ele: "Mas estamos a falar da mesma canção..."
Ai que eu até tive uma tontura e tive de me agarrar a uma parede para não cair desamparada com tamanha alarvidade. Pois que se deu mais outra carrada de nervos e outra discussão com a irrefutabilidade de argumentos do "olha que não, olha que não", contraposto por um "olha que sim, olha que sim"...
Nisto, qual gaja que é gaja, estava eu pronta a disparar um: "Pronto, já não gostas de mim , não é? É isso que me queres dizer, não é?" quando se me ocorre... "E se ele me diz que não? Que já não gosta de mim?" Fiz uma revisão mental... Já estou bem entrada nos trintas, não tenho mais nenhum homem de reserva, tenho uns bons oito quilos a mais no lombo, tenho dois filhos pequenos a tiracolo... Nã.... Deixa-me estar quietinha e não me pôr a jeito que agora não me dava jeitinho nenhum ficar sem marido... "Pois com certeza que sim meu doce, pois com certeza que é mesma canção!...".
Rimo-nos e fomos tomar o pequeno-almoço; eu, obviamente, com a certeza que o Hallelujah do Leonard Cohen é a melhor canção de sempre e que são duas canções diferentes.