segunda-feira, 27 de março de 2017

Da matemática, da ignorância ruidosa e de como ainda nunca me faltou a paciência para iluminar pobres almas no que a este particular diz respeito.

Eu bem tinha a certeza que já aqui tinha escrito sobre um conceito que me é muito caro (e que me pôs na contingência de ter de lhe arranjar um nome) que é o da ignorância ruidosa, que é aquela ignorância levada a cabo por aqueles ignorantes que, além de espalha brasas, assumem a ignorância alheia. Google, 0.3 segundos e... Tcharan! Ora aqui está o dito

Tendo eu formação académica em matemática, vai na volta surge-me à mesa do café, pela boca de terceiros indignados, a questão dos problemas de matemática em aberto... O mais antigo carece de resposta há mais de 2 500 anos, e todos têm em comum o problema de serem muito, mas mesmo muito, pouco sexy. Terão mesmo sexyness negativa...

O problema mais antigo de matemática tem a ver com números perfeitos, que são números iguais à soma dos seus divisores (excluindo o próprio), como sejam o 6 = 1 + 2 + 3, ou o 28 = 1 + 2 + 4 + 7 +14. A este respeito, Leonhard Euler (1707-1783), por muitos considerado o maior matemático de todos os tempos, provou que um número par é perfeito se e só se tiver a forma 2^(p-1)*(2^p-1), onde p é tal que 2^p-1 é um número primo.

E agora... Assumindo que ainda não desertastes... O problema matemático em aberto mais antigo é.... {rufar de tambores}....

Há algum número perfeito ímpar?



E então, hum?! Extasiados ou quê?...
Pois é... Eu sei, eu percebo... Eu avisei que era um problema tão sexy quanto um homem de Birkenstock e meias das raquetes a coçar o rabo...

Mas é precisamente nesta parte, quando vê referência nalgum jornal ou página web aos tais problemas, que o ignorante ruidoso começa com as suas larachas. Claro que ele até percebe que os matemáticos do planeta não passaram os últimos 2 500 anos a tentar resolver a questão. De qualquer das formas, não percebe que exista algum, um que seja, que ainda gaste uma semana, um dia, uma hora que seja, a tentar resolver o problema. Diz o ignorante que é estúpido, que, pronto, mesmo que se chegue a uma resposta... Ok... E o Mundo ganha o quê com isso? Pronto, provaste que todos os números perfeitos são pares! Pronto... palmadinha nas costas... leva lá a taça... Mas esta gente não terá mais nada que fazer?! Escavar batatas ou assim... Ah-ah-ah! Ri-se sempre muito o ignorante ruidoso...

É nesta parte que eu endireito as costas, chego a cadeira à frente, engulo em seco, bebo um gole de água, pego na mão do ignorante e olhando-o nos olhos... "Vem cá meu filho, que tenho umas coisas para te dizer... Primeiro não é escavar batatas que se diz, meu bem, mas sim cavar batatas... Ca-var... Depois... Bom, depois... Ouve bem o que eu te vou dizer... Chega-te aqui à minha beira, que as minhas palavras iluminar-te-ão a vida e delas darás conhecimento a filhos e netos..."

E depois, muito calmamente, imbuída de um estranho espírito de missão e com uma paciência que me pergunto sempre onde raio a fui desencantar, explico ao ignorante que o que importa não é o resultado, que isso deixou há muito de importar. O que tem de tão importante e de profundamente excitante (qual sexy qual quê...) este e os outros problemas em aberto, é o método que levará à sua resolução. O método para se resolver o problema é que será importante e certamente inovador. Afinal são 2500 anos de matemáticos a tentar... O que importa é o método, não propriamente o resultado. Percebeste, meu doce? O método... Não necessariamente o resultado... E sim. Será necessariamente um grande, grande, resultado. Para todos... Até quiçá para ti, minha pobre alma...

Com a mesma paciência de Jó, o explicou L. Euler no seu Theoremata circa divisores numerorum (1750).


O que é mesmo engraçado nesta história é que neste artigo L. Euler demonstrou verdades matemáticas tão sexy como o problema em aberto que me levou a escrever em post. Igualdades, inferências e constatações a envolver números... Ahã!


Mas, dizia eu e agora muito a sério e esquecendo o tom jocoso do post, o que é mesmo mesmo engraçado, é que é neste artigo, onde L. Euler desabafa e opina, sobre o investimento no conhecimento pelo conhecimento, que estão demonstrados os resultados que estão na base da segurança da encriptação que nos permite fazer as transações online que tanto apreciamos. Acho isto maravilhoso! Em 1750 um matemático encoraja os colegas a não desistirem de demonstrar factos aparentemente sem utilidade porque podem ajudar a desvendar "more useful truths". Em 2017 gerimos a nossa vida sentados no sofá, suportados por aquilo que ele, a seu tempo, quase pediu desculpa por apresentar...






sexta-feira, 24 de março de 2017

Assim num instantinho...

A minha sogra fez anos. Oferecemos-lhe um candeeiro de mesa, de porcelana, mui lindo e phyno - uma classe. O Jr. foi comigo buscá-lo à loja e disse-me que até gostava "dos desenhos" mas que por ele tínhamos comprado um prato, até podia ser daquela coleção, mas um prato. Diz que a casa da avó tem luz que chegue e que o prato sempre servia para comer... Enfim, boys will be boys.  
Furou-se-nos um pneu. A um domingo e longe de casa, não sendo a ridicularia daquele pneu fininho que agora os carros trazem solução para o regresso. Depois de muito investigar lá descobrimos uma oficina aberta, capaz de nos trocar o pneu. Estavam esgotados os 30 km que o pneu fininho nos permitia. Lá chegados disseram-nos que afinal o pneu não estava furado, que talvez fosse só um problema na "bábula", a quem deram um "valente apertão". Regressámos ao Porto, tarde e a más horas. No dia seguinte, na correria matinal e no limiar temporal, dei com o pneu em baixo. Afinal sempre estava furado. Afinal não era problema da "bábula" que, pelo sim pelo não, levara um "valente apertão". Valha-nos ao menos isso.
Assumi sozinha um projecto que, na sua essência não era meu. Ou apenas meu, vá. Vi-me refém de uma plataforma electrónica ineficaz e via única para declaração de interesses. Falhando eu, falhávamos todos e, nesse caso, responsável só haveria uma pois claro. À beira do abismo, dei um murro na mesa que, plim, desbloqueou a situação. Trepidações mágicas, aquém e além fronteiras. Um stress que nem é bom lembrar.
O meu telemóvel faleceu-me nas mãos no dia, ó infortúnio, em que mais precisava dele. O telemóvel que um amigo me emprestou também.
O meu filho mais novo apanhou varicela. Até nem custou muito e hoje já foi para a escola.
O meu telemóvel regressou inesperada e num repente, tal como partiu, numa manhã de nevoeiro e com um ar como se nada se tivesse passado. Grandessíssimo sonso... Qualquer dia parte de vez... Aos bocadinhos e contra uma parede.
Trabalhei ao fim de semana. Resolvi o dobro das coisas em metade do tempo. Percebi que as pessoas confiam em mim. Sem que nunca tenham falado comigo.
Tremi das pernas num bloco operatório e levei uma anestesia geral. Acordei de bem com a vida, o que fez as enfermeiras rir. Dão drogas bem boas no hospital, é o que vos digo. Tive alta um dia antes do previsto.
Acabei um dos melhores policiais que já li: Último Acto em Lisboa, do Robert Wilson. Devia ser de leitura obrigatória em Portugal. Uma parte obscura da nossa história está ali plasmada, numa vivência admirável para um escritor estrangeiro. Por altura da segunda guerra, este país de brandos costumes, do Futebol, Fado e Fátima, jogou nas duas equipas, amealhou e construiu pontes. Gostei muito. Sugestão do meu chefe. Recomendo vivamente.
Pedi sugestões às minhas amigas para um livro mesmo mesmo bom, que eu lesse de um fôlego durante a minha convalescença. Gravei todas as sugestões no coração, vou lê-las assim que puder, mas o empregado da livraria convenceu-me num entusiasmo contagiante a comprar um calhamaço de 700 páginas. Se-te-cen-tas páginas. Disse-me que ia desejar que tivesse 1200 e que ainda havia de ir lá agradecer-lhe. Acenava com ele aos colegas, como quem pergunta "e então?", e os colegas respondiam-lhe ao longe com um aceno de "boa escolha, sim senhor". Foi este: A Verdade Sobre o Caso Harry Quebert de Joël Dicker. Livros de 700 páginas são uma bosta, uma valente bosta. Deviam ser proibidos. Faz falta no livro esse conselho de Harry Quebert (e olhai que não faltou oportunidade ao longo de se-te-cen-tas páginas). São pesados e desconfortáveis. Fazem dor nos braços e uma pessoa não arranja posição... É muita página... É fisicamente difícil. Principalmente quando se leem em 3 dias. Se tendes mais que fazer não lhe pegueis. Olhai o que vos digo.

segunda-feira, 13 de março de 2017

Hoje fomos fazer uma actividade à escola do Baby...

E queria deixar aqui um recadinho às educadoras e auxiliares das salas dos 2 anos espalhadas por este Portugal fora.

Então é assim:


terça-feira, 7 de março de 2017

Fiquei contente por avisarem que as mangas estavam maduras...

Caso contrário, uma pessoa até podia comprar mangas praticamente podres a pensar que ainda estavam verdes.



Podres. Estavam podres. Peguei numa e foi por um triz que não fiquei com os dedos lá enterrados. 

Mercearia familiar?!
Não. Sucursal do Belmiro mesmo.

quarta-feira, 1 de março de 2017

"Sabes mãe, hoje um menino de 11 anos disse CA-RÁ..."

Eu arregalo muito os olhos, com a cara meio torcida, como quem diz "acabas a palavra e eu nem sei que te faço"...

Continuou o Jr:

"Ui... Já estás com essa cara... Está bem, está... Quando te disser que em vez de um I veio um L, um H e um O, até desmaias!"

(...)

Não desmaiei.
Mas ri-me.

Passo a minha santa vida a dizer isto...

O que é preciso não é quem saiba mais, é quem faça melhor.

Por isso tudo vai de arregaçar as mangas e dar o corpinho ao manifesto ou, então, é dar meia volta e ir pregar para outra freguesia.

Simples, não é?