terça-feira, 17 de outubro de 2017

Cada um divulga como pode.

São concentrações em Lisboa, Porto, Braga e Leiria contra os incêndios, sob o mote "Vão de férias" ou "Protestar para Mudar". Organizadas através das redes sociais, serão entre esta terça e sábado.

Aqui.

Porque há quem perceba do assunto e, não obstante, escreva em blogs.

A INCOMPETÊNCIA E A DESERTIFICAÇÃO DO PAÍS

DE RERUM NATURA
[Sobre a Natureza das Coisas]


Posso testemunhar o primeiro parágrafo:


Não sei precisar o ano, mas diria que foi entre 1989 e 1991, e perante a possibilidade de se vir a reflorestar a Serra do Marão com eucalipto depois de um incêndio, houve gente que se manifestou como pôde e soube.

Era eu uma criança de Bragança, esse reduto de selvagens iletrados e indoutos, e o carro dos meu pais (como tantos outros na cidade) ostentava um autocolante no vidro traseiro com os dizeres "Natureza Sim, Eucalipto Não". E era o que diziam os jornais regionais. "Natureza Sim, Eucalipto Não".  O que corria é que onde havia eucaliptos não havia mais nada, que sugavam toda a água e mais nada em sua volta conseguia sobreviver. E que explodiam. Que eram árvores que, simplesmente, "explodiam". (E explodem! Chegam a mandar material incandescente a 20 km (vinte quilómetros!) de distância.) E que não morriam nos incêndios. (E dificilmente morrem, meses depois de arderem já têm novos rebentos e depois de um incêndio, então, é que mais nenhuma espécie se consegue desenvolver.)

Bragança, inícios dos 90.

Ninguém ligou. Porque, afinal, o eucalipto era o "ouro verde" e porque toda a gente sabe que os académicos são uns teóricos, aleados da realidade e das necessidades reais das populações, a quem não vale a pena ligar muito.

Estranhamente, na altura, tal como agora, mais nenhum país parecia ver a riqueza fácil que ali estava... Ali mesmo, à mão de semear. Enfim. Cambada de burros. 

Aos que berram que isto, enfim, foi um triste infortúnio. Que ninguém tem culpa. Que nada podia ter sido feito. Que afinal são as alterações climáticas (que resolveram iniciar funções em Portugal a 14 de junho de 2017, precisamente, diz que Portugal está na moda, deve ter sido por isso), que nada podia ter sido feito e que, enfim, são azares da vida, recomendo a leitura do relatório da comissão independente relativamente aos incêndios de junho (versão completa, aqui).

Ao nosso caríssimo Primeiro Ministro,
....
....

"habituem-se" mazé o caralho.

sábado, 23 de setembro de 2017

Proibições detalhadas.

O Baby mudou de sala, da creche para o jardim de infância. Também mudou de professora.

[Baby] Sabes mãe, agora na escola não se pode lutar...
... Nem dar murros...
... Nem bater com a mão aberta...
... Nem empurrar...
... Nem cuspir...
... Nem arranhar...
... Nem morder...
... Nem dar cotoveladas...
... Nem dar pontapés...
... Nem beliscar...
... Nem fazer rasteiras...
... Nem puxar o cabelo...
... Foi a [Nome da professora nova] que disse.

[NM] Oh, e antes com a [Nome da Professora antiga] podia-se?

[Baby] Também não. Mas a [Nome da Professora nova] é mais explicadinha.


quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Aguenta coração.

A criança pede empadão para o jantar do dia seguinte. Que gosta tanto, que lhe apetecia tanto, ui, mas tanto. A mãe, ainda que consciente do imbróglio que ia ser por falta de tempo, diz-lhe que sim, sim senhora, lá se haveria de arranjar maneira, pois se à criança lhe apetecia tanto. A mãe sai de casa no dia seguinte tendo-se esquecido de tirar carne picada do congelador... Rais parta... Agora então é que vai ser uma correria... Ao fim da tarde a mãe liga o turbo e já com a outra criança a tiracolo passa no talho. Chega a casa. Bom, quase. Volta atrás a buscar cebolas. Chega a casa. A criança mais nova diz que "qué axudá". Sendo a experiência la madre de todas as cousas, a mãe ouve a criança mais nova dizer que quer empatar. E a mãe diz que sim, evidentemente. Que apreciava muito a ajuda. A sonsa.  A criança mais nova sobe então para um banco para ver o que se passa na banca.... Cuidado, para não caires!!... A mãe parte uma cebola em quatro e atira com ela para dentro da Bimby. A mãe revolve a despensa e por entre 720 latas de atum, 530 de grão de bico e 547 de feijão vermelho encontra 1, uma!, lata de tomate. A única, mas exatamente o que precisava... Ufa!!... A mãe vai para abrir a lata do tomate, mas parte a patilha ou lá como raio se chama aquilo. A mãe não encontra o abre latas. Ai afinal encontra. O estupor do abre latas que não funciona nada de jeito... Precisamos de um abre latas novo... A mãe faz força. A mãe só consegue abrir um bocadinho da lata. O abre latas mói a lata.  [Buáááá....] Oh filho.... Tira a cara de dentro da Bimby. Pois choras, claro que choras. É da cebola. [Buáááá....] Pois doem os olhos... [Buáááá....] Vamos lá lavar a carinha..  Pronto, vá não chores mais... [Buáááá....] A mãe pega numa faca e tenta abrir o estupor da lata do tomate. Macacos a mordessem se o jantar não ia ser empadão. A mãe corta-se na p#ta da lata. Oh mãe... Oh mãe.... Tu... Tu tens xangue???!!! Ixo é xangue??? [Buáááá....] A mãe estanca o sangue como pode e acalma a criança. A mãe  respira fundo e consegue abrir a lata.  

A mãe isto, tic, a mãe aquilo, tac, o filho mais novo não sei quê, tic, e o mais velho não sei que mais, tac, e depois...

Oh well, depois a mãe tinha um belo empadão na mesa às oito em ponto.... Oh yeah!! Suuuuper Mom!!! [A mãe controla-se para não começar aos beijinhos a si própria.]

(...)

[Jr.] Mãé?!!... Posso não comer mais?

[NM] Hã?! Mas tu não comeste quase nada... Não estavas cheio de vontade de empadão?

[Jr.] Estava... Mas era do bom.

(...)

Eu. Mereço.

terça-feira, 12 de setembro de 2017

O estranho caso do homem que bordava o nome completo no interior do casaco














Para continuar a saga NM nomeia... flor!

domingo, 10 de setembro de 2017

E desde aquele dia ele nunca mais dispensou a bússola..

Decorria o ano 2000, 2000 e pico, e um jovem propôs à sua adorada que fizessem uma viagem de automóvel: do Porto a Sintra, sempre por estradas nacionais, sempre nas calmas, sempre a aproveitar o caminho.

A jovem aceitou, desconhecendo no entanto, que nas premissas de tal viagem estava também:

(a.) a orientação pelo Sol durante o dia, e

(b.) a orientação pela Estrela Polar durante a noite.

Ainda hoje permanece por esclarecer como é que entre uma coisa e outra, ali no lusco-fusco, um casal de namorados não deixou de o ser.

sábado, 9 de setembro de 2017

Dos estereótipos.

O meu marido, homem que é, nunca pergunta direcções. Nunca.
Este verão, chegados a Tavira depois de seis horas de viagem, 40°C, já com os ouvidos em sangue de tanto Despacito, o GPS... Pifou! Pois claro. Evidentemente.

Eu, a antever-me às voltas durante três quartos de hora à procura do nosso aldeamento, pergunto já em taquicardia:

E agora?!... Perguntamos a alguém, certo? 

Ao que marido responde:

Ah não... Não vale a pena... Ontem estive a ver no mapa e aquilo fica para Este.

E enquanto eu pensava Hã???!!!, ele encosta, vai ao porta luvas e saca de uma... Bússola!!!





E é isto a minha vida.

Uma bússola.
Uma bússola que mora no porta luvas do carro de excelso junto a uma... Pederneira!! Sim, se o meu marido precisar de fazer fogo de repente... Sem problema, vai ao porta luvas e, zau!, saca da sua pederneira....
Para o caso de se perder no mato ou assim. À noite. No inverno. De carro. E no caso do isqueiro do dito se avariar.

Surpreendentemente a tal da pederneira deve ter aí uns cinco anos e nunca foi usada. Olhai que ele há coisas...

(...)

E se isto não é coisa de homem então não percebo mesmo nada de nada.