terça-feira, 17 de outubro de 2017

Cada um divulga como pode.

São concentrações em Lisboa, Porto, Braga e Leiria contra os incêndios, sob o mote "Vão de férias" ou "Protestar para Mudar". Organizadas através das redes sociais, serão entre esta terça e sábado.

Aqui.

Porque há quem perceba do assunto e, não obstante, escreva em blogs.

A INCOMPETÊNCIA E A DESERTIFICAÇÃO DO PAÍS

DE RERUM NATURA
[Sobre a Natureza das Coisas]


Posso testemunhar o primeiro parágrafo:


Não sei precisar o ano, mas diria que foi entre 1989 e 1991, e perante a possibilidade de se vir a reflorestar a Serra do Marão com eucalipto depois de um incêndio, houve gente que se manifestou como pôde e soube.

Era eu uma criança de Bragança, esse reduto de selvagens iletrados e indoutos, e o carro dos meu pais (como tantos outros na cidade) ostentava um autocolante no vidro traseiro com os dizeres "Natureza Sim, Eucalipto Não". E era o que diziam os jornais regionais. "Natureza Sim, Eucalipto Não".  O que corria é que onde havia eucaliptos não havia mais nada, que sugavam toda a água e mais nada em sua volta conseguia sobreviver. E que explodiam. Que eram árvores que, simplesmente, "explodiam". (E explodem! Chegam a mandar material incandescente a 20 km (vinte quilómetros!) de distância.) E que não morriam nos incêndios. (E dificilmente morrem, meses depois de arderem já têm novos rebentos e depois de um incêndio, então, é que mais nenhuma espécie se consegue desenvolver.)

Bragança, inícios dos 90.

Ninguém ligou. Porque, afinal, o eucalipto era o "ouro verde" e porque toda a gente sabe que os académicos são uns teóricos, aleados da realidade e das necessidades reais das populações, a quem não vale a pena ligar muito.

Estranhamente, na altura, tal como agora, mais nenhum país parecia ver a riqueza fácil que ali estava... Ali mesmo, à mão de semear. Enfim. Cambada de burros. 

Aos que berram que isto, enfim, foi um triste infortúnio. Que ninguém tem culpa. Que nada podia ter sido feito. Que afinal são as alterações climáticas (que resolveram iniciar funções em Portugal a 14 de junho de 2017, precisamente, diz que Portugal está na moda, deve ter sido por isso), que nada podia ter sido feito e que, enfim, são azares da vida, recomendo a leitura do relatório da comissão independente relativamente aos incêndios de junho (versão completa, aqui).

Ao nosso caríssimo Primeiro Ministro,
....
....

"habituem-se" mazé o caralho.

sábado, 23 de setembro de 2017

Proibições detalhadas.

O Baby mudou de sala, da creche para o jardim de infância. Também mudou de professora.

[Baby] Sabes mãe, agora na escola não se pode lutar...
... Nem dar murros...
... Nem bater com a mão aberta...
... Nem empurrar...
... Nem cuspir...
... Nem arranhar...
... Nem morder...
... Nem dar cotoveladas...
... Nem dar pontapés...
... Nem beliscar...
... Nem fazer rasteiras...
... Nem puxar o cabelo...
... Foi a [Nome da professora nova] que disse.

[NM] Oh, e antes com a [Nome da Professora antiga] podia-se?

[Baby] Também não. Mas a [Nome da Professora nova] é mais explicadinha.


quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Aguenta coração.

A criança pede empadão para o jantar do dia seguinte. Que gosta tanto, que lhe apetecia tanto, ui, mas tanto. A mãe, ainda que consciente do imbróglio que ia ser por falta de tempo, diz-lhe que sim, sim senhora, lá se haveria de arranjar maneira, pois se à criança lhe apetecia tanto. A mãe sai de casa no dia seguinte tendo-se esquecido de tirar carne picada do congelador... Rais parta... Agora então é que vai ser uma correria... Ao fim da tarde a mãe liga o turbo e já com a outra criança a tiracolo passa no talho. Chega a casa. Bom, quase. Volta atrás a buscar cebolas. Chega a casa. A criança mais nova diz que "qué axudá". Sendo a experiência la madre de todas as cousas, a mãe ouve a criança mais nova dizer que quer empatar. E a mãe diz que sim, evidentemente. Que apreciava muito a ajuda. A sonsa.  A criança mais nova sobe então para um banco para ver o que se passa na banca.... Cuidado, para não caires!!... A mãe parte uma cebola em quatro e atira com ela para dentro da Bimby. A mãe revolve a despensa e por entre 720 latas de atum, 530 de grão de bico e 547 de feijão vermelho encontra 1, uma!, lata de tomate. A única, mas exatamente o que precisava... Ufa!!... A mãe vai para abrir a lata do tomate, mas parte a patilha ou lá como raio se chama aquilo. A mãe não encontra o abre latas. Ai afinal encontra. O estupor do abre latas que não funciona nada de jeito... Precisamos de um abre latas novo... A mãe faz força. A mãe só consegue abrir um bocadinho da lata. O abre latas mói a lata.  [Buáááá....] Oh filho.... Tira a cara de dentro da Bimby. Pois choras, claro que choras. É da cebola. [Buáááá....] Pois doem os olhos... [Buáááá....] Vamos lá lavar a carinha..  Pronto, vá não chores mais... [Buáááá....] A mãe pega numa faca e tenta abrir o estupor da lata do tomate. Macacos a mordessem se o jantar não ia ser empadão. A mãe corta-se na p#ta da lata. Oh mãe... Oh mãe.... Tu... Tu tens xangue???!!! Ixo é xangue??? [Buáááá....] A mãe estanca o sangue como pode e acalma a criança. A mãe  respira fundo e consegue abrir a lata.  

A mãe isto, tic, a mãe aquilo, tac, o filho mais novo não sei quê, tic, e o mais velho não sei que mais, tac, e depois...

Oh well, depois a mãe tinha um belo empadão na mesa às oito em ponto.... Oh yeah!! Suuuuper Mom!!! [A mãe controla-se para não começar aos beijinhos a si própria.]

(...)

[Jr.] Mãé?!!... Posso não comer mais?

[NM] Hã?! Mas tu não comeste quase nada... Não estavas cheio de vontade de empadão?

[Jr.] Estava... Mas era do bom.

(...)

Eu. Mereço.

terça-feira, 12 de setembro de 2017

O estranho caso do homem que bordava o nome completo no interior do casaco














Para continuar a saga NM nomeia... flor!

domingo, 10 de setembro de 2017

E desde aquele dia ele nunca mais dispensou a bússola..

Decorria o ano 2000, 2000 e pico, e um jovem propôs à sua adorada que fizessem uma viagem de automóvel: do Porto a Sintra, sempre por estradas nacionais, sempre nas calmas, sempre a aproveitar o caminho.

A jovem aceitou, desconhecendo no entanto, que nas premissas de tal viagem estava também:

(a.) a orientação pelo Sol durante o dia, e

(b.) a orientação pela Estrela Polar durante a noite.

Ainda hoje permanece por esclarecer como é que entre uma coisa e outra, ali no lusco-fusco, um casal de namorados não deixou de o ser.

sábado, 9 de setembro de 2017

Dos estereótipos.

O meu marido, homem que é, nunca pergunta direcções. Nunca.
Este verão, chegados a Tavira depois de seis horas de viagem, 40°C, já com os ouvidos em sangue de tanto Despacito, o GPS... Pifou! Pois claro. Evidentemente.

Eu, a antever-me às voltas durante três quartos de hora à procura do nosso aldeamento, pergunto já em taquicardia:

E agora?!... Perguntamos a alguém, certo? 

Ao que marido responde:

Ah não... Não vale a pena... Ontem estive a ver no mapa e aquilo fica para Este.

E enquanto eu pensava Hã???!!!, ele encosta, vai ao porta luvas e saca de uma... Bússola!!!





E é isto a minha vida.

Uma bússola.
Uma bússola que mora no porta luvas do carro de excelso junto a uma... Pederneira!! Sim, se o meu marido precisar de fazer fogo de repente... Sem problema, vai ao porta luvas e, zau!, saca da sua pederneira....
Para o caso de se perder no mato ou assim. À noite. No inverno. De carro. E no caso do isqueiro do dito se avariar.

Surpreendentemente a tal da pederneira deve ter aí uns cinco anos e nunca foi usada. Olhai que ele há coisas...

(...)

E se isto não é coisa de homem então não percebo mesmo nada de nada.

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Eu não queria meter mais lenha na fogueira mas a gravidade da situação assim o exige.

As lojas online de roupa para criança têm secção de menino e de menina.

Até aos 8 ou 9 anos nada no corpo das crianças justifica essa distinção.
Tirando eventualmente nas cuecas, vá.

E agora?! O que é que fazemos para consertar esta situação, hum?! Invadimos as lojas físicas e revolvemos aquilo tudo, ou fazemos o quê?

Para agravar a situação algumas descrevem os tamanhos por idades. O que é discriminatório para as crianças altas, baixas, gordas e magras. Já para não falar nos anões.

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

É só, pronto, um "suponhamos"...

Suponhamos que, finda a licença de parentalidade, uma dessas pessoas que violentamente se insurge contra toda e qualquer associação de género (a cartilha manda dizer "estereótipo", não vá a negatividade não ser evidente) precisa de um(a) baby-sitter (M/F, obviamente) para cuidar de um(a) filho(a) bebé, de cinco meses, durante as, sei lá, oito horas em que precisa de estar ausente de casa por motivos profissionais.

A pessoa põe o anúncio, seleciona e entrevista candidatos. Chegada ao fim do processo a pessoa tem dois candidatos nas mesmíssimas condições (recordo que este é um exercício meramente teórico): mesma experiência, mesma empatia, enfim, mesmo tudo. Dois candidatos em exacto pé de igualdade.

Só que um calha de ser homem e outro de ser mulher.

Fazendo juz ao que apaixonadamente versa e defende a tal pessoa resolve a situação e escolhe a pessoa que lhe vai tratar do(a) filho(a) atirando uma moeda ao ar, verdade?

Adenda:

Reformule-se a questão, que diz que está difícil de perceber o meu ponto.

Filipe,

Estão nas mesmas condições de contratação... Bolas, está difícil de perceber um exercício TEÓRICO.
Reformulando... Imagine que só há duas pessoas no mundo disponíveis. Pronto. E que não sabe nada delas. Uma é homem, outra é mulher. E tem mesmo de deixar o seu filho a uma delas. Qual escolheria? Pronto, é isto!...

Hoje começa o meu Ano Novo.

E isto
sou eu
a blogo-entrar
com o
pé direito.

domingo, 3 de setembro de 2017

Agosto 2017

Cinco semanas de férias. Apenas uma dormida em casa.
2500 km de carro.
"Despacito" e "sube-me la radio" (ou lá o que é) para desligar os miúdos quando se começavam a ameaçar de morte no banco de trás. Não me orgulho. Pois que não. Mas em tempo de guerra....
Uma ida ao hospital.
Mesas para quinze durante uma semana.
Um dente extraído à moda do Séc. XV.
Um Jr. que aprendeu a andar de bicicleta.
Um Baby que não chegou a perceber o que era isso de, estando na água, ele "não ter pé". De todas as vezes mostrava que tinha pé, tinha sim senhora. Dois até.
Uma cobra adorável.
Um sobrinho de seis anos que correu sem hesitar para um pântano a pensar que era chão verdejante. Molhado até à cintura não parou de correr. Rãs saltavam por todos os lados em volta dele. Mil vezes me venha a imagem à cabeça, mil vezes me rio à gargalhada.
A cadela que o Baby não sabe se ama ou se odeia.
Um susto de morte face à imagem do vulto do Baby no fundo de uma piscina. Um adulto dentro da água e dois fora a olhar para a dita. Ninguém percebeu o que aconteceu, se caiu, se entrou pelo próprio pé. Dez segundos antes estava fora de água. Tudo sob um silêncio pertubardor.
O Jr. de mão dada e abraçado a uma menina doce como o mel.
Um beijo a um tio doente que soube a despedida.
Saudades da Mãe. Sempre. Ainda mais. Cada vez mais.
Um baptizado.
Um aniversário.
Muitas histórias. Vividas, ouvidas e contadas.
Num dia um calor abrasador de 40° e no dia a seguir uma tempestade de granizo do tamanho de berlindes.
15 localidades visitadas:
A mais a Norte: Baiona
A mais a Sul: Ilha da Culatra
A mais a Este: Miranda do Douro
A mais a Oeste: Vila Praia de Âncora.

Estou exausta.

De como se prova que, apesar de tudo, somos pessoas de bem...

Marido-homem foi às compras com filho-homem mais novo que, de entre todas as cores de escova de dentes, escolheu a cor de rosa. Meu rico menino.






Ser pai é...

Guardar um vídeo sem ponta por onde se lhe pegue só porque se ouve o filho dizer "UAU!".


Este já está melhorzinho...




"Guardar só o que é bom de guardar..." 3/3


quinta-feira, 31 de agosto de 2017

É pró menino, e prá menina...

Sendo, simplesmente, mentira que o livro das meninas é mais fácil que o dos meninos, toda esta polémica é do mais patético, em primeira instância, e assustador, quando se pensa melhor, com que este histérico e-mundo de dedinhos certeiros e parco sentido crítico nos tem brindado.

O problema?! 
O problema é que há quem se ache no direito de fazer uso de mordaças.
O problema é que há livros a serem retirados do mercado. Livros! Livros didáticos!! A serem retirados do mercado porque... Ora, porque sim. Porque alguém, superiormente dotado, obviamente, ajuizou que coisa e tal e que assim é que devia ser. Porque ancinhos é pró menino e prá menina e porque toda a gente sabe que meninas a ajudar a mãe na cozinha não pode ser. Ainda se fosse a ajudar o pai...

O problema é que vivemos num país livre e começa a não parecer.

Proiba-se. Proiba-se tudo. 
Ou então obrigue-se. Obrigue-se tudo. 
Obrigue-se à submissão de todas obras a um comité de averiguação de igualdade de género que proibirá as que não estiverem de acordo com os cânones e dará a bênção às que sim senhor. Calem-se cantores e jornalistas. Cale-se aquele povo que não sabe o que pode dizer. Distribuam-se cartilhas. Proiba-se. Proiba-se o rosa e os urinóis. Obriguem-se os meninos a brincar com bonecas e as meninas a jogar futebol. Obriguem-se as meninas a vestirem-se de Homem Aranha no Carnaval e os meninos a vestirem-se de princesas. Sim. Obriguem-se!! Não. Obriguem-se os meninos a mascarem-se de mulheres de sucesso. Proibam-se as princesas. Proiba-se a depilação nas mulheres. E a maquilhagem. Proiba-se!! Proiba-se o ballet! Obrigue-se à produção de stilletos até ao número 45 e à produção de soutiens sem copa e de costas largas. Proiba-se a designação "lâminas de barbear". Proibam-se as casas de banho diferenciadas. Os homens nunca têm fila. É discriminatório. As mulheres não têm barba e também podem usar lâminas. É discriminatório. Proiba-se a SIC Mulher e a Men's Health. Proíbam-se os ginásios femininos. Proiba-se a separação por género no desporto. É absurdo. Obriguem-se os homens a fazer xixi sentados. Obriguem-se as mulheres a trabalhar fora de casa. Proibam-se os calendários Pirelli.  

Proiba-se, porra! Proiba-se!!!! 
Ou então, obrigue-se.
Das duas, uma.


Uma senhora crónica aqui.

Viciados em proibir

sábado, 26 de agosto de 2017

I beg your pardon?!

E depois, numa piscina, ele começou a insistir que o que eu devia mesmo era ir lá a um daqueles escorregas caracoidais e demoníacos. E eu a dizer que não, que não gostava, que estava muito bem deitadinha na toalha a apanhar sol. E ele a dizer que hã-hã, que eu tinha era medo, que ele bem sabia. Mas que eu devia ir. Que não havia motivo para medos, que ele bem tinha visto, que até uma "velhota" tinha ido e se tinha rido muito. E depois eu chamei-o à atenção, que "velhota" era adjectivo pouco polido. E ele disse que sim senhor, que não voltava a apelidar ninguém de tal.

Cinco minutos mais tarde...

- Olha mãe, lá vai a velhota para o escorrega, outra vez... Estás a ver? A de fato de banho azul?!

E depois eu fiquei muito aborrecida com ele por causa daquilo do "velhota".

E depois reparei na tal senhora e fiquei ainda mais aborrecida.
Ainda estou ligeiramente abalada, na verdade.

É que, depois de aguçar a visão que ultimamente me tem falhado, dei-me conta que a tal da "velhota" foi minha colega no liceu.

sábado, 19 de agosto de 2017

Dos javalis e da inconsciência.

Javalis supreendem banhistas em praia da Arrábida

As pessoas estão na praia. As pessoas vêem três animais selvagens, cada um com 90 kg e caninos de 10 cm, descer do monte para se abeirar da água.

As pessoas afastam-se silenciosa e calmamente pondo essencialmente a salvo as suas crianças? 

Não. 

As pessoas pegam nas suas crianças e levam-nas a ver os bichinhos de perto.

E depois uma criança fala mais alto, um pau parte ou um adulto levanta os braços. Um animal assuta-se. Os restantes idem aspas.

E depois era o fim do mundo em cuecas, como um qualquer vídeo nos haveria de mostrar 15 minutos após a tragédia.

Iniciar-se-ia imediatamente uma caça aos responsáveis. Cabeças haveriam de ter de rolar.

Assim, como nada aconteceu, tudo não passou de um pitoresco fait diver de verão.

E é isto.

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Triste é aquele momento...

Em que passeias descontraidamente com a tua família e recebendo uma mensagem de uma amiga a dizer, apenas e só, que estava nas Ramblas, mas que estava bem, fazes por saber não o que aconteceu (porque isso adivinhaste-o imediatamente), mas quantos mortos houve.

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Por acaso estava a ser injusta...

Existe uma foto de nós a caminho da praia em que eu apareço.
De esguelha e tal, mas apareço.
Eu estive lá. Está documentado.



Moral da história.

A culpa foi da árvore e como esta morreu a justiça está, essencialmente, feita.

Estava para aqui entretida a ver as fotografias das férias...

E só me vem à ideia os meus filhos daqui a uns anos:

"E a mãe, onde estava?"

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Ninguém me tira da ideia que foi alguma praga que me rogaram por contribuir para a poluição (sonora, pelo menos, há que admiti-lo sem rodeios) da tal região a Sul no tal mês.

Que alma?!

Que alma é que é picada por uma - UMA! - melga (ou mosquito, ou o caraio, que alma nada sentiu) a uma Segunda (ali bem no meio das sobrancelhas que é para o povo todo poder apreciar devidamente o espectáculo), começando Terça ao fim da tarde (24 horas depois, note-se) a tal da mediana borbulha a crescer desalmadamente, começando a tal da alma a ser carinhosamente apelidada pelos seus amigos de "unicórnio"?

Que alma é que, tendo sido picada a uma Segunda entre as sobrancelhas, acorda Quarta completamente desfigurada, quase sem conseguir abrir os olhos. Com dificuldade em respirar, gânglios inchados e vista turva. Sem conseguir usar óculos de sol de tão inchado que tinha o nariz?

(...)

Resumo hospitalar:

- Shot de cortisona para a veia;
- Shot de anti histamina para a veia;
- Cinco dias de anti inflamatório 12h/12h;
- Dez dias de anti histamínico 12h/12h.
- Dez dias de pomada com anti histamínico e antibiótico 6h/6h.

(...)

Um mosquito. Um! Mosquito!

Que alma se permite a uma tareia de um mosquito?
Ou uma melga.
Ou o caraio.



quarta-feira, 2 de agosto de 2017

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Nem sei o que me causa mais espécie...

- Se pessoas inteligentes e vividas serem escravas do trabalho, mesmo não se sentindo particularmente felizes no exercício de;

- Se pessoas inteligentes e vividas se aborrerecerem com merdinhas sem jeito nenhum.

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Luna is overrated.

O pediatra fez-nos o ultimato da chupeta. Verdade verdadinha que o Baby já praticamente só a usa para dormir mas sempre que está em casa e lhe bota os olhinhos... Zau!! "Pépé" na boca! É aquele saboroso pecado, de quem bem demais sabe que não devia.

Na última ida ao pediatra ele bem ouviu o ralhete, que já não tinha jeito nenhum, que já era um homem e que estava a ficar com os dentes tortos, que tinha de largar aquilo.

Ora, a chupeta que ele tem já é única e é das primeiras que teve (que entretanto com o uso foi crescendo e crescendo e crescendo)... É portanto insubstituível. A outra que tinha rasgou-se (tanto cresceu...), pelo que estamos por dias de resolver a questão por falta de utensílio.

Mas bom... Como estava eu a contar, o Baby bem sabe que a chupeta é proíbida, que só mesmo para adormecer... E, e... Já nem para isso devia ser.

Estávamos nós em casa a curtir um domingo de ronha, quando o vejo entrar no quarto... Ele, de costas para a porta, olha para cima da cama, vê o kit de segurança: chupeta + fralda, julga-se sozinho e... Zau! Chupeta a caminho da boca.

Eu, qual Lucky Luke, faço-lhe um sonoro: A-hã!!, as in "é que nem penses", que o atinge pelas costas...

Ele olha para trás e com a chupeta na mão, encostada à boquinha ainda aberta, diz:

- Eu ia fajê axim...

E começa a massajar os cantos da boca com a chupeta. Eu atónita a olhar para ele sem saber muito bem se desatava às gargalhada ou aos berros, e ele lá seguia com energéticos movimentos circulares... Já na bochecha...

- Bês... axim... Óia!!!

Sempre com precisos movimentos circulares já levava a chupeta na testa:

- axim...  ia fajê axim... E é pexiso fajé na caínha toda... 

Eu olho para ele, com os olhos muito arregalados, a apertar os lábios o mais que conseguia... Por favor criador, não permitais que me desmanche aqui em gargalhadas. Eu não posso. Eu tenho que educar. E ele não pode. Fazei com que eu tenha forças...

Nisto ele olha para mim, pára com a "massagem", e no pináculo da mais pura da sonsice - SON-SI-CE! pura e dura, pergunta a fazer-se de muito sério:

- Puque tás a olhá axim pa mim?! Também faiz mau aos dentinhos fajê axim com a chupeta, faiz?! 

(...)

É tão, mas tão, difícil educar este meu filho...


sexta-feira, 14 de julho de 2017

Cake Design - Urgências; Alguém conhece?

Vai que amanhã primogénito faz anos!!

Vai que aqui mamãe decidiu dar por finda a sua senda no que ao consumo de cake design diz respeito.

Pronto, finito es! Já dei para esse peditório, pois que já dei. É muito giro, muito fofinho à vista, muito criativo, muito tudo, mas, enfim, passo! Para crianças de boca azul, que permanece azul passado um par de horas, já bem bastou o bolo do último aniversário do Baby.

Vai então que, imbuída no raciocínio supra, resolveu aqui mamãe fazer o bolo da festa.

Mas vai que rico filho de mamãe teve, à última da hora, uma ideia geek mais geek amorosa-mais-amorosa-não-há para a decoração.

E vai que... Sem problema meu bem que aqui mamãe resolve.



Vai que agora mamãe está com muita vergonha do que amanhã tem para apresentar aos convidados...

Com açúcar em pó é que tinha sido, não era?
Tinha recortado os números em papel e a conta ficava em negativo, não era?... Era pois.
Ora, bolas!

quarta-feira, 12 de julho de 2017

"Estou sim?! Olá, viva, é a mãe do Jr., é só para saber se está tudo bem e se posso falar com ele..."

- "Ah sim, sim... (...) Já lho passo..."

- "Obrigada!"

(...)

- "Sim, mãe?!"

- "Olá, meu amor! Então?! Tudo bem? Estás a gostar?"

- "Estou. Muito."

- "Que estavas a fazer?!"

- "Estávamos a ir tomar um cafezinho..."

????!!!!!

Juro que quando o entreguei de manhã ele tinha 6 anos. Seis! Espero bem que não mo devolvam com 22.

Que seria de mim sem o apoio das minhas amigas!!...

O Jr., o meu bebé, quis ir acampar com o Campo de Férias. Eu disponível a ir levá-lo e buscá-lo todos os dias, para vir dormir ao conforto de seu lar, junto de sua querida mãe, e o pequeno cara de catano a dizer que não. Que queria ir e ficar lá dormir, que lhe desse mazé dinheiro para gelados e ficasse sossegada.
Vou falar com as professoras para as pôr a par de tão peregrina ideia do caçula do grupo e vai que elas me dizem que sim, que ele devia ir, what?!! , que tem mais que autonomia, que lhe ia fazer bem.

Pronto, lá foi.
Com 6€ no bolso para desbaratar à vontade.

E agora eu estava para aqui...
A pensar no que estaria ele a fazer, se se estaria divertir, enfim essas coisas...

O título?! Ah, isso...

Há pouco fui ao watsapp e comentei com uma amiga o que se estava a passar. Que o Jr. tinha ido acampar, que ia passar duas noites fora de casa a dormir com os costados no chão e que eu estava com o coração um bocadinho nada apertado.

Ela?!
Ela, qual poço de sensibilidade, responde-me com isto:


Eu mereço!





terça-feira, 11 de julho de 2017

De como eu também quero contar uma história de conversas em linhas paralelas, que por acaso é só uma das maiores vergonhas da minha vida, ou de como dou um rim por uma corrente.

Pois é, minha Palmier... Cá vamos... Sempre de olho aberto à bela da corrente, né?

Eu sei, eu sei que tu me percebes... :)

Ora então, foi assim que aconteceu:

Decorria o ano de dois mil e picos e era esta que vos escreve uma professora estagiária numa qualquer escola do concelho do Porto (e a esta altura a minha amiga I*, que já adivinha o que aí vem, já chora a rir). Pois que éramos quatro estagiárias e tudo corria bem. Dávamo-nos todas bem, a orientadora era uma porreira, planificávamos aulas à beira mar, pedíamos cinco cafés diferentes (curto, chávena fria, três quartos, normal e italiana, acho que era isto) e riamo-nos como umas perdidas sempre que podíamos.

Tudo muito certo, até que num dia de novembro, conta-nos a nossa orientadora, entre risos, que uma auxiliar lhe tinha dito que o grupo de estagiárias desse ano era bem simpático, tirando uma, euzinha!, que era um bocado para o nariz empinado.

Ora... Eu sou tudo menos uma nariz empinado - quer dizer, agora às vezes até sou que há malta que não percebe de outra forma que estar à vontade não é estar à vontadinha, mas à data dos factos não era de todo o caso. Também à data dos factos era eu mais permeável à opinião alheia, sendo que agora sou uma fervorosa adepta do estoumecagandismo; faço o melhor que posso, respeito toda a gente, mas quem não gosta que ponha na borda do prato que eu também não perco um minuto a pensar no assunto.

Pois muito bem, estando eu na sala de fumadores, e recém detentora da informação de alguém me achar a ovelha ronhosa do grupo, levanto-me e dirijo-me à sala dos professores “normal” para ir buscar um café. Estávamos em horário letivo, pelo que tal sala estava praticamente vazia. 

Naquele momento contava animadamente a auxiliar que trabalhava no bar a uma professora "da casa" (i.e. efectiva) que, infelizmente, tinha tido de tirar o "aparelho".

“Ah e tal, tive de tirar o aparelho...”, foi isto que aqui a nariz empinado (infâmia!!!) ouviu.

Ora, eu usei aparelho nos dentes durante dois anos e tinha tirado o dito em julho desse ano.

Para não me acusarem de antipatia, Deus nos livre, longe vá a infâmia, e perante os sorrisos que me receberam resolvi meter-me na conversa, fixando o olhar nos dentes da senhora...

[NM] Mas ó D. Alcina, e a Sra. precisa de aparelho?

[D. Alcina]  Ó menina, então não havia de precisar? Mas a menina faz-me assim tão velha.

[NM, de olhar fixo na dentura da senhora] Não é isso... Mas não me parece que precise, só isso...

(Por acaso nesta altura reparei num estranho silêncio, quiçá indiciador que me devia calar mas bom... “Nariz empinado” é que não...)

[NM] Mas e então?! Teve que tirar o aparelho, foi? Doía-lhe muito?

[D. Alcina]  Não. Doer não doía, mas sangrava muito...

[NM] Ah... Eu também usei, sabe? E no início também me acontecia muito... Falta de fruta, sabe?

(Verdade, verdadinha... No início, aquilo faz muita força nas gengivas e, por falta de vitamina, por falta de fruta, dizia-me o médico, eu sangrava das gengivas. Mas depois comecei a comer muita fruta, frutinha da boa, fiquei com as gengivas fortes e nunca mais sangrei.)

Ainda me ecoava na cabeça o meu diagnóstico de falta de fruta, quando reparo que a professora que desde início falava com a D. Alcina arregala os olhos enquanto dava uma dentada na sua sandes de queijo.

Nisto só ouço...

[D. Alcina] Não faz mal... Continuo a tomar a pílula que também não morre ninguém!!!!

(...)

Pois é...

Eu falava no aparelho dos dentes e no sangramento das gengivas derivado da falta de fruta e a D. Alcina falava no... DIU!!!!

No DIU e no sangramento pelo pipi...

Eu?! O pior desta história é que eu fiquei tão aflita, mas tão aflita, que não consegui dizer nada... Virei costas e fui-me embora. Na minha cabeça um único e exclusivo pensamento: "Falta de fruta, NM??"  

Diz que entrei na sala de fumo branca como a cal.

- O que é que foi??!!, perguntaram-me as minhas colegas.

- Nem queirais saber o que aconteceu..., disse eu.

(...)

As minhas amigas riram-se tanto, tanto, tanto... Pus as quatro a chorar com o riso. Bingo!

Eu?! Eu fui para casa. Super envergonhada, claro.

(...)

Como é que eu sei que era novembro?!

Porque nessa noite foi o magusto da Escola... Porque mal pus um pé dentro do pavilhão, já cheio de professores, só ouvi um “Olha quem chegou...” e uma explosão de gargalhadas.

E foi isto.

domingo, 9 de julho de 2017

Aze(re)da!

Sempre me achei detentora de um optimismo à prova de bala, mas por estes dias...

Ando com a vida virada do avesso, é verdade (não a familiar, graças a todos os santinhos, mas as outras, em que não há dia em que não haja novidades e em que não tenha de me realinhar - umas vezes mais em linha que outras, mas bom...).
Ando cansada, com falta de paciência e de filtro. Talvez seja por isso...

Mas o incêndio; as baratas tontas e o sistema que só funciona quando não é preciso e que teve o amén de todos os governos desde Durão Barroso. Sempre a saber-se que não, que não funcionava! O foi "feito tudo aquilo que se podia ter feito"; os suicídios, quais armas de arremesso político, que, ó infortúnio, afinal não o foram; o assalto de Tancos que é só o 18º (décimo oitavo!!!) assalto do género. As forças (des)armadas;  o ministro da defesa que fala do ocorrido como se tivesse desaparecido material de jardinagem;  o PM de férias e o "Eu é que sou o Presidente da Junta" do MNE. A Cristas aos pulinhos a exigir a demissão de ministros como se isso resolvesse porra alguma. Tudo aos pulos. Tudo aos gritinhos. Tudo numa figurinha de dar dó.  O líder parlamentar do PCP numa manifestação pró Maduro. O exame de Português que não vai ser repetido porque não, porque causaria muito transtorno. (E se tivesse sido no de Biologia que, por sinal, é a específica para Medicina? Acaso a atitude teria sido a mesma? Não. Obviamente que não.) As cativações que não foram feitas em nada de importante, diz o CR das finanças. Em nadíssima de importante. O criador nos livre que nós não andamos aqui a brincar.

"Pá... Emigra! Se estás tão mal emigra."

"E então no incêndio de Londres, quantos morreram?"

"Pá, mas achas que os da direita faziam melhor?"

"Oh pá, querem lá os terroristas saber de nós... Se não arranjassem armas aqui, iam arranjá-las a outro sítio qualquer. Até te digo mais... Ainda bem que não houve rondas, senão tinha havido mortos. Mas não te aflijas que os terroristas não querem saber de nós."

"E então? Estás triste? Anima-te! Viste aquilo da gafe na ementa do casamento do teu presidente? Jasus, que cromos!"

"Emigra!! Sabes quanto ganhavas lá fora?"


"E o Salvador Sobral? tss, tss, ..."



"Mas tu achas que nos outros países não é assim? Olha, os da Venezuela estão bem pior..."

"Soubesses tu como era antes do 25 de abril e andavas aos pulos de felicidade..."



Como? Como é que se sai desta mediocridade?

(...)

(...)

Às vezes dou por mim a pensar que quem me dera conseguir alinhar no: 

Q'sa f@da... Deixa arder, que o meu pai é bombeiro!

(...)

Mas não. Não consigo.

Adenda: Foram demitidos três secretários de Estado. Um ano depois da polémica lá de umas viagens ao Euro. Um ano depois. Diz que eles andavam a pedir muito para sair, e claro que ninguém pode manter ninguém contra vontade em cargos tão importantes. ... "Pá"...  Isto não pode ser o atirar de ossos mal roídos à oposição, pois não? Pois claro que não... "Pá," desisto!

É bom para ir aos figos, é sim senhora.


Por outro lado, para ir aos morangos...

segunda-feira, 3 de julho de 2017

Errado!


4 iogurtes = 0,85€; Leve 8, pague 7 = 1,65€

Ou o pack de quatro custa 0,94€.
Ou o pack de oito custa 1,49€.
Ou a embalagem diz LEVE 8 PAGUE 7,76.

Assim como está é só uma aldrabice.

* É uma ninharia, pois claro que é. É o princípio subjacente (ou a falta de) que me tira do sério.

domingo, 2 de julho de 2017

"Pássito à pássito, suábe, suábessito..."

Já no início da semana o Jr. me havia dito que tinha ganho um concurso de dança, ao som do "pássito-pássito" (?)... Não liguei. Quer dizer, ligar liguei, ainda parei dois segundos a pensar que raio seria aquilo do "pássito-pássito" mas dando andamento à minha caótica vida... Enfim... Siga para bingo, que nada há de ser nada e agora não tenho vagar. 

Acabei de encontrar o repetidor de internet que tanta falta me tem feito desde há duas semanas, e em busca do qual já revirei a casa toda, no fundo da mochila da piscina do miúdo. Tudo bem... Siga!

Mas dizia eu, hoje a criança estava a brincar muito sossegada e lá cantarolava o "Pássito à pássito, suábe, suábessito" que lhe ouvi a semana inteira. Até o pequenito já acompanhava... 
Não foi tarde nem cedo... 
Zau! 
Fui pesquisar. 

Maldita, mal-di-ta, a hora.
Mil vezes viver na ignorância que eu não tenho arcaboiço para isto.



Acredito que já toda a gente tenha ouvido esta trampa... Acredito muito bem que sim.

Mas eu cá, alienada social confessa, não conhecia e estou chocada. 
Sete anos da minha vida a investir na cultura musical da criança e ela nos momentos de descontração canta-me o "Pássito à pássito, suábe, suábessito..."??? Uma criança que com três anos trauteava Johnny Cash... "because you're mine I walk the line"...  E via em repeat concertos dos Pearl Jam? E agora... "Pássito à pássito, suábe, suábessito..."???

Ai.... 
Ai que não me estou a sentir nada bem...

sexta-feira, 30 de junho de 2017

Filmagens à socapa e ensinamentos de irmão mais velho.


*Ali na segunda vez, eu punha a mão no lume em como o meu lindo menino, riqueza de sua mãe, volta a dizer "filhos da fruta". Estimado marido diz que me queimava.


Em terra de cegos...

E depois o Pedro, no seu sotaque mais queque, de beto mais queque da Foz mais queque, acenava freneticamente com os trejeitos mais queques, sob o pólo mais queque, um papelote que dizia ser o parecer de um perito que, ui sabeis lá, o perito dos peritos, o melhor do burgo.

Porque ele tinha razão e se dúvidas disso houvesse estava ali o parecer do tal perito. Um perito que... oh... de trás da orelha. 
Diz que. 
Só que não.

Ela?! Ela entrou em modo tenemos muitos nabos a cozer nua panela...



E o Pedro lá continuava, dando lustro aos créditos do tal perito, que ui e vós sabeis lá...

E em modo tenemos muitos nabos a cozer nua panela... Ela batia imaginariamente o pé ao som de:

Bai Pedro bai, al lhugar de la justicia
Di-le a tou amo cumo you te digo a ti

La-la-la...

Pedro, que te falta? Repica la tu gaita
Tenes l pan na tulha l bino na bodega
Tenes la melhor moça que habie nesta tierra
Ciega dun uolho i manca dua perna

Outra vez.

Tenes la melhor moça que habie nesta tierra
Ciega dun uolho i manca dua perna

Depois ela sempre lhe disse, recorrendo às suas melhores competências diplomáticas, que era melhor o Pedro refrear os ânimos. Que às vezes... Enfim... Ainda que seja o melhor perito do burgo, não deixa de ser Ciego dun uolho i manco dua perna...


O Pedro não gostou. Oh!

quinta-feira, 29 de junho de 2017

Brincando ao Dr. Salgado...

Levantei-me pela fresca, vim a Madrid falar do que não sei e já estou a fazer horas no aeroporto para ir jantar a casa.

Tem sido um dia muito simpático. Quem me dera poder fazer isto mais vezes...
Só não entendo a súbita vontade que me está a assistir nem sei se de cortar os pulsos, se de dar repetidamente com a cabeca contra uma parede. Mas de resto tudo bem.

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Ensaio.

O meu Jr., quase sete anos de gente, foi à festa de fim de ano do ATL.

À noite.

Parece que provou Coca-Cola.

Parece que gostou.

Eram as onze da noite e dizia-me ele, chegado da festa, que estava mal disposto, que achava que ia vomitar... Que não voltava a beber Coca-Cola.

Eu?! Eu já não sabia se havia de rir, se havia de chorar.

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Afinal... Quanto maiores os testículos, maiores os cornos.

Post da série: "Títulos do caralhão" inusitadamente iniciada pela querida Susana Rodrigues.

Para finalizar o tema dos incêndios gostava só de lembrar que quando arde floresta, não são só as árvores que se vão. Tudo quanto é bicho se fina, igualmente.

No distrito de Bragança, por exemplo, reside a maior população de cervos do país, também há lobos, corços, cabras-montês, raposas, javalis, gatos bravos, "ratos-do-lameiro" (desconhecidos no resto do país), coelhos bravos, lebres, ouriços cacheiros, raposas e esquilos, águias, corujas, falcões, mochos e cegonhas, cobras, licranços e víboras cornudas.

Há. Ainda há. Mas toda esta riqueza depende exclusivamente da floresta. Com os incêndios também ela arde. Também ela se perde.

Não são só as árvores que se vão. Estes também.

Pronto. Era só mesmo isto.

(...)

Agora para desanuviar o ambiente e fechar aqui o blogo-capítulo incêndios que muito me tem desgastado explico-vos o título.

O veado vermelho é o maior mamífero da Península Ibérica e os machos possuem um grande par de hastes. Sim, "hastes" (caem e voltam a crescer a cada ano); não "cornos" (que não caem) como escrevi no título... Mas bom, lá conseguiria eu resistir a título tão do... Enfim, coiso.

O tamanho das hastes está relacionado com a idade do animal, pelo que a cada ano estes desenvolvem hastes maiores (que perdem depois da reprodução, começando a nascer novamente passadas quatro ou cinco semanas).
É de facto impressionante como é que se desenvolvem estruturas daquelas apenas num ano.
E o que aquilo pesa, senhores?!

Mas...

O tamanho das hastes também está diretamente relacionado com o tamanho dos testículos do animal (quantidade de testosterona produzida).

Sendo que, machos só com um testículo (muito raros) só têm uma haste. Geralmente pequena.

Sendo, igualmente, que estes machos só com um testículo costumam ser fatais quando lutam com os pares por altura da época de acasalamento* porque em vez de "encaixarem" o par de hastes no do vizinho, simplesmente espetam a pequena haste que têm mandando o vizinho bi testicular para o céu dos machos alfa wannabe.

Pronto. Era só.

Dizei lá que não aprendeis coisas interessantes comigo, hum?! 



*Entre Setembro e Novembro. Podeis ir ver e contribuir para o desenvolvimento regional. É a única época do ano em que os machos socializam com as fêmeas. Os machos bramem muito alto e andam todos (machos e fêmeas) mais ativos a cirandar pelo monte. É a melhor época para os observar. Pesquisai brama do veado no Parque Natural de Montesinho e fazei-vos à vida. Não deiteis beatas pelas janelas do automóvel se fizerdes o favor.

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Nunca, NUNCA, ninguém quis saber…

Ontem ao ler este post da flor percebi que ia ter que voltar a pôr o dedo na ferida. 
Por muito que me custe. Não ficaria bem comigo se não o fizesse.

Também eu carrego muita raiva e, como lá disse, não é de agora em virtude destas almas que se foram. Também eu nasci e cresci no interior rural e desde que tenho consciência de mim que me lembro do cheiro a terra queimada, de ver in loco gente a chorar, desesperada. Uns anos tocava a uns, uns anos tocava a outros. Solidariedade de uns anos para os outros. Agora ajudas-me tu, para o ano ajudo-te eu. Morria sempre gente, o sicrano ou o beltrano, do sítio de além ou do de aquém, que munido de giestas foi abafar o fogo. Que os bombeiros haviam chegado tarde. E se não tivessem sido os homens das giestas então é que haveria de ter sido bonito. 

Todos. Todos. Todos os anos. Qual desgraça anunciada. Sempre o mesmo filme. Sempre. No telejornal eram certas como a morte a reportagem sobre os incêndios e a reportagem das filas de trânsito na Nacional Azul a caminho do Algarve. Certo como a noite que chega depois do dia. Assim continua. Tirando a parte da nacional. As nacionais que agora só estão lá como alternativa, como via de fuga. Ou não.

Fatal como o destino. Os verões da minha infância/juventude cheiraram invariavelmente a terra queimada. Mais perto ou mais longe. Mas o cheiro chegava sempre. Durante vários dias respirava cinzas. Triste fado! 

NUNCA, repito NUNCA, ninguém quis saber… 

Não é de agora, nem deste governo nem do anterior, nem do passado. Nunca ninguém quis saber. Nunca ninguém fez nada com pés e cabeça, com futuro, com estrutura.

Décadas depois tudo igual. Sempre os mesmos desgraçado, desgarrados, a sofrer na pele. Portugueses de segunda, praticamente tribais.

Nunca ninguém quis saber e assim continuará… 

Porquê?!

Porque planear algo neste foro custa dinheiro, muito dinheiro, e levará tempo, não muito mas ainda assim tempo, a dar frutos. Não compensa. Na nossa cultura política imediatista, populista, tachista e oportunista, não compensa investir. Mais vale ter fé na Nossa Senhora e esperar que os hectares ardidos não sejam mais que os do governo anterior. Isso basta para se celebrar.

Porque a nossa floresta não é economicamente rentável e porque quem sofre as consequências são meia dúzia de gatos pingados sem expressão eleitoral. E toda a falta de estrutura, gestão e organização se baseia simplesmente nisto. É dinheiro sem retorno.

Porque é utópica a questão de obrigar os privados a limpar os terrenos. Os “privados” de que falamos são os pobres, os tais difíceis de salvar como disse o nosso PR. Os terrenos de que falamos são terrenos agora sem valor económico, terrenos não registados, terrenos que foram herdados ou comprados a vizinhos com o dinheiro da venda dos vitelos numa altura em que ainda se tinha força para fazer alguma coisa e antes dos filhos emigrarem para a França. Não são do Estado, pois não, mas também não se sabe de quem são. São terrenos de ninguém.  São delimitados por pedras e árvores e quando muito haverá um papel escrito à mão a confirmar a transação. São micro parcelas de terreno de 400 m2. Já nem sequer existem caminhos para se chegar aos do monte. Só a pé com uma catana a desbravar caminho por entre os terrenos vizinhos, qual Rambo. 
A sério? Como se faz? Como se pode obrigar?... Não obriga. Assume o Estado a limpeza, e é se quer. Por outro lado, quem os registou, tem ali nada mais nada menos que um fardo e um mundo de preocupações. Tomaram muitos privados, donos de terrenos, ser nesta altura expropriados.  (Outra coisa, será a gestão da floresta feita pelas concessionárias das estradas, por exemplo… Não é disso que falo.)

Porque o pôr militares, reclusos, beneficiários do subsídio de desemprego ou de outros a limpar a mata não funciona. Simplesmente não funciona. É tentado há mais de dez anos, com despachos em Diário da República e tudo, como manda a sapatilha, mas… Na prática não funcionou. Porquê não sei, mas não funcionou.

Porque a reflorestação se faz à base de pinheiros e eucaliptos (estes, originários da vizinha Austrália, que já representam um quarto da floresta nacional). Porque os carvalhos ou sobreiros demoram muito tempo a crescer (é preciso esperar 25 anos até se conseguir tirar cortiça de um sobreiro) e porque, já se sabe, montes pelados ainda que nos entretantos são muito pouco sexy. Era preciso haver uma concertação praticamente intergeracional entre os diversos governos. Não vai acontecer. Porque o eucalipto ainda que sendo inflamável dificilmente morre num fogo. Diziam-me os velhos, quando fizeram da Serra Marão um enorme eucaliptal, algures nos inícios dos 90s, que eram árvores demoníacas aquelas. Que a cada fogo por que passavam, recuperavam cada vez mais rápido e mais fortes. Parecia que gostavam de fogo, as diabas. Refloresta-se com eucalipto porque é mais fácil. Pronto. E até cheiram bem e tudo.  E são verdes. Pronto, está resolvido. Secam tudo o que há à volta, mas isso não interessa. Ninguém sabe, ninguém quer saber, o que importa é haver sombra para aquele piquenique pitoresco que uma vez no ano decidimos fazer para proporcionar às nossas crianças o contacto com a natureza. Cá agora questiúnculas de árvores. É tudo verde, carai. Tudo igual. (Nesta altura dos post já nem sei se ria se chore...)


Porque há três estruturas com responsabilidades na defesa da floresta e gestão de incêndios. Não uma: Três! O Instituto de Conservação da Natureza (Ministério de Agricultura), a GNR e a Proteção Civil (ambos do Ministério da Administração Interna). Ora, pois que já devíamos ter a capacidade analítica de perceber que estas co-responsabilidades entre instituições nunca funcionam, apesar de, lá está, na teoria serem muito lindas. Não funcionam porque cada instituição é uma capela, cada capela acha-se mais importante que a outra, cada capela tem os seus directores e presidentes, cada qual com o seu umbigo. Quando corre bem, dão os três pulos de alegria, com as conversas dentro de cada capela a ir ao encontro do “Se não fossemos nós…”. Cada uma das três… “Ai se não fossemos nós…”. Quando dá para o torto, cada uma das três sacode a água do capote o mais ferozmente que consegue. “Não, desculpa, isto é da responsabilidade deles…” Não dá. Não funciona. Não há abnegação nem maturidade para tal. Muito lindo no papel, mas não dá.

Porque… E como já referi anteriormente num post sobre o Vara e a CGD não se podem pôr bons… sei lá, amigos, digamos assim, aos comandos de um Boeing só porque estes têm carta de ligeiros. Não dá. Vai dar merda. Eu conheço gente muito capaz em muita coisa. O meu marido, por exemplo, é muito capaz lá nos algoritmos dele. Eu também lhe tenho estima e é muito boa pessoa. E também percebe de números e é um curioso da biologia. Mas nunca, em consciência e responsabilidade, o indicaria para gerir, sei lá, o hospital de São João. Só poderia dar merda, não é?! Pois é… (Mas o meu marido é uma pessoa muito capaz, que disso não restam dúvidas.) E temos um secretário de Estado que é um porreiro, grande amigo de Costa, e de Vara já agora, e temos uma ministra que, pronto, alguém com ligações partidárias me disse que andou com ela ao colo. Pronto, vá. Por si só isso não lhe tira mérito é verdade, todos andámos ao colo de alguém. Mas essa ministra recusa ajuda, pronta à espera na fronteira. Com o argumento de que muita gente atrapalha… É perigoso. Pois é. Verdade. Gente impreparada, munida de giestas a tentar abafar o fogo ao pé de bombeiros são mais uma fonte de preocupação que uma ajuda. Concordamos todos, senhora ministra. Não somos estúpidos. Agora... Ter gente formada e preparada a pedir para ajudar, e o pobre em aflições levantar problemas… Eu também não percebo nada do assunto, que não percebo…. Mas às tantas, nem que fosse só para 60 dos nossos irem descansar depois de dias enfiados naquele inferno… Se calhar… Hum?! Assim já não era muita gente. Eram os mesmo… Saíam 60 nossos, entravam 60 deles... 

Não?! Porque não?

Porque… Às tantas… Mais vale deixar arder que mostrar ao vizinho muito melhor sucedido na matéria que não fazemos a mais pálida ideia do que andamos a fazer. Verdade. Como diz o povo, não temos de dar a nossa vida a saber a ninguém e antes parecer estúpido que mostrar efectivamente que o somos… Uma coisa são meios aéreos… Andam lá no alto, um ou outro, nada sabem e pouco vêem do que se passa no terreno. Isso, tudo muito bem. Outra coisa é termos os vizinhos a meterem o nariz no nosso guisado. Logo eles, que já fizerem parangonas a dizer que não estamos preparados para lidar com isto… Filhos de uma grandessíssima, mãe!

Mas agora penso, talvez seja esta pressão externa que leve alguém a fazer alguma coisa. Têm feito grandes destaques noticiosos a propósito desta nossa triste situação (aqui, por exemplo). Talvez o espicaçar do orgulho leve alguém a fazer alguma coisa.

Talvez os espanhóis nos estejam a ajudar mais do que aquilo que pensam.

Resumindo e concluindo.

A conservação da floresta é uma prioridade. É. Toda a gente parece concordar. Alguma coisa tem que ser feita. Pois tem. Toda a gente parece concordar.

Mas…

Tudo isso custará dinheiro. Muito dinheiro. Ou é uma cagada engendrada às três pancadas... 

(entretanto... Partidos querem aprovar reforma florestal num mês: http://observador.pt/2017/06/21/partidos-querem-aprovar-reforma-florestal-num-mes/

A sério?! Here we go again...)

Mas dizia eu, ou é uma coisa mal amanhada e engendrada às três pancadas para calar o povo, mais do mesmo portanto, ou custará muito, muito, dinheiro.

Acontece no entanto que...

O orçamento de Estado não estica.

Para fazer a tal limpeza e conservação estrutural da floresta, que o país brada de dedo em riste, há dinheiro que não vai ir para outro lado. O dinheiro que se investir na floresta vai falhar na Educação, ou na Saúde, ou na Ciência, ou na Segurança, ou na Segurança social, ou na… Não sei aonde... Mas vai falhar!

E agora penso… Se questionados, quantos portugueses estariam dispostos a abdicar de algo que os afecte diretamente em prol da floresta e dos desterrados? Quantos, hum?! Não sei se seriam assim tantos...