quarta-feira, 24 de maio de 2017

Contra factos...

Estimado marido é motoclista.
 
Diz que hoje foi por um triz que não foi abalroado por uma condutora que após três pontapés e um rotativo no código ainda lhe gritou um "ENTÃO?!" assertivo e carregadinho de não-razão.
Encontraram-se no semáforo em frente, marido parou ao lado e ainda lhe disse que ela poderia muito bem ter ficado sem carta graças à habilidade que tinha acabado de fazer.
Outra vez assertiva, mas desta vez carregadinha de razão, ela respondeu: "Pois podia, mas quem ia parar ao hospital eras tu."
 
E é isto.
 
Marido diz que não lhe espetou um banano porque era mulher. Ora, nem mais... Deito-me com um sexista e não sabia.

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Deve ser para garantir o bom hálito...

- Oh mãe, hoje a professora disse que têm de se lavar os dentes com pasta de flor.




E foram precisos quase nove anos, para num domingo, tarde e a más horas...

Me ter apercebido que existe sinalética de saída de emergência, bem por cima da porta do meu gabinete.



E as vezes que eu já saí pela janela em momentos de aflição, senhores?!

sexta-feira, 19 de maio de 2017

A Língua Portuguesa e a lógica da batata*.

Ora então:

Mictar: 

1. Expelir urina. = URINAR


Micterismo:

1. Semblante severo ou carregado; má catadura. = CARRANCA, SOBRECENHO
2. Dito desdenhoso ou escarnecedor. = CHACOTA, TROÇA, ZOMBARIA


Que língua mais simples e clara, esta nossa...


*E pode ser mesmo a lógica da batata do post de baixo, que tanto parece um coração como os tintins de um velhote.

"mictar", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, https://www.priberam.pt/dlpo/mictar [consultado em 19-05-2017].

"micterismo", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, https://www.priberam.pt/dlpo/micterismo [consultado em 19-05-2017].

Adenda: O dicionário Priberam é cocó, o da Porto Editora é que é. Se fui ao Priberam é porque sou amiúde acometida de paragens cerebrais. Toda a gente sabe.

segunda-feira, 15 de maio de 2017

domingo, 14 de maio de 2017

E depois acontece.

Olhas para baixo e tens uma fratura tectónica entre os pés. E sabes que tens uma e uma só opção a tomar. Mas esperas. Não decides por impulso. Já pouco fazes por impulso. A vida tem-te mostrado que o impulso pouco tem de franqueza. Acreditas até que nada mais é que fraqueza. A fraqueza da irracionalidade. Esperas. Pensas. Racionalizas. Decides. Tu. E vais, direita, para uma das placas. Pelo teu pé. Com a certeza que nada te amolecerá a verticalidade. És o que és. Aqui e ali. Em todo o lado. Para o bem e para o mal. És honesta. E vertical. E só a tua almofada sabe o quão tranquila se deita a tua consciência. Todas as noites. É tão mais simples a vida assim. Sem truques na manga. És o que és. Fazes o melhor que consegues. Às vezes consegues mais, às vezes consegues menos. Ouves os teus filhos rir com as macacadas do pai e sabes que tudo se resolverá. Porque sim. Porque a vida, às vezes, treme. Mas enquanto ouvires as teus filhos rir, o mundo tremer-te-á suavemente sob os pés. Até sorris. Com cócegas. 
Vamos lá.
Dar o salto.
Crescer.
Viver.
Tudo está bem.
É o que é.
A vida, às vezes, treme.
O mundo treme.
Tu tremes.
Mas não te vergas.
Por nada.
Antes tombar, que logo te levantas.
Viver vergada nunca.
Faz mal às costas.

sábado, 13 de maio de 2017

Tuga private.

E agora o nosso rapaz, futuro comendador - adivinho, pisava o palco, agarrava-se aos safanões aos apresentadores e gritava:

Amanhã é feriado, c@ralho!!!!

(E depois a mana Luísa e a restante comitiva começava lá trás aos pinchos... E esta merda é toda nossa, olé!, olé!... Era lindo ou não, carai?)

O problema do 13 de maio de Marcelo.

Marcelo saiu de Fátima em direção ao Marquês em marcha de emergência.
 
E eu que estou a ver o Festival da Eurovisão adivinho o F16 já de motor ligado para seguir em direção a Kiev.

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Imagino a educadora a instruí-los afincadamente o dia todo para guardarem segredo e não consigo parar de rir.

[NM] E então, filho?! Foi bom o teu dia?

[Baby] Xim...

[NM] O que fizeste?!

[Baby] Não fiz um coá [colar] pa ti. Não. Não fiz!

(...)

O Dia da Mãe está aí a chegar, né?

sábado, 29 de abril de 2017

Frases que já não posso ouvir.

A proferida amiúde pela Pessoa A:

"... Blá blá blá blá.... É que uma pessoa não se pode queixar simultaneamente de A e de não A."

E a da Pessoa dos bolos:

"... Blá blá blá blá... É que uma pessoa não pode querer ter o bolo e comê-lo." 

...

... Mas com o devido distanciamento, e sendo que a Pessoa A se refere à Pessoa dos bolos e vice versa, até que é deveras cómico...

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Das tatuagens da nossa prole.*

A propósito de uns comentários ali na Palmier de que só hoje me dei conta, passei o dia a arquitetar um plano para quando um dos meus ricos filhos (aposto as fichas todas no Baby) me vier com a peregrina ideia de querer fazer uma tatuagem.
Resolvi então que no dia em que for confrontada com tal, vou buscar uma folha de papel A4, uma Bic Azul Cristal e peço à cria em questão que descreva tim por tim a tatuagem que faria no dia seguinte se eu a tal acedesse. Tamanho e local. Tudo muito bem explicadinho.
Depois dobramos o papel muito bem dobradinho e guardamo-lo na gaveta das meias. Se passados dois anos, sendo que nunca antes de atingirem os 21 (se nos Estados Unidos não têm direito a comprar  uma cerveja até lá, não há de ser no Portugalinho de brandos costumes que se poderão marcar para vida; e se não estais a ver relação de uma coisa com outra é porque de facto não existe, mas isso agora também não interessa nada)... Mas dizia eu, se passados dois anos (eventualmente três ou quatro, depois logo se vê) ele ainda quiser fazer a mesmíssima tatuagem, pois força nisso. Até vou com ele.

... Claro que este é só o meu plano, ainda não discutido em sede de Assembleia parental.... Claro que há um pai com poder de veto... E ou as coisas mudam muito... Ou claro que a prole vai corrida com um não rotundo finamente delineado a um nem quero voltar a ouvir falar do assunto...


*Tenho sentimentos ambivalentes relativamente ao assunto no sentido em que reconheço que os tatuadores são uns artistas do caracinhas. Até vos digo que um dos meus guilty pleasures do momento é um programa de tatuagens que dá na Sic Radical. Vejo os episódios todos. Todinhos. Mas, e apesar de reconhecer a arte, quantos mais episódios vejo mais certezas tenho que jamais me tatuarei (sendo que, ainda assim, só o faria num local que por norma ande debaixo da roupa porque não gosto de ver). Pois se aqueles, alguns tatuadores experientes e reconhecidos, fazem em praticamente todos os episódios, inenarráveis cacaborradas, nem quero imaginar as obras de arte que sairão dos estúdios de tatuagem espalhados por esse mundo fora. Nope. Não na minha carninha.

sexta-feira, 21 de abril de 2017

O cúmulo da distração.

[Estimado marido, comigo à conversa no quarto, tendo o jantar a seu cargo] Ssssssss.... Esqueci-me do esparregado ao lume...

E sai disparado. Volta em menos de nada.

[NM]  E então?! Queimou?!

[Estimado marido] Não. Tinha-me esquecido de ligar o fogão.

terça-feira, 18 de abril de 2017

Pois é, Be... Já o Jr...


NM: E o que achas deste quadro?


E então, Palmier?! Alinhas? Vendemos isto ao avô? ;)

E lá podia este rapaz deixar de tentar fazer negócio?!

Desta arte... Desta arte é que o Jr. havia de gostar...

domingo, 16 de abril de 2017

Da vacinação, da corresponsabilidade e de como pela boca morre o peixe.

Ainda não há um ano (há pouco mais de meio, aliás), a importância da vacinação foi embandeirada em arco da pior maneira possível.


E não, não foi auto-recriação da imprensa, no sítio da DGS, a 16-09-2016:

OMS reconhece Portugal sem Rubéola e Sarampo


(Vamos esquecer o pormenor de ser explicito um intervalo temporal, não vigente à altura da publicação...) 

Muitas pessoas interpretaram, pois que se o sarampo está erradicado, vacinar os meus filhos para quê?

Agora é um Ai Jesus...




A questão é... As pessoas estão a desleixar, por opção, a vacinação do sarampo exatamente porque... Digo eu que não só, mas também, porque a DGS tem desleixado e tem sido irresponsável na forma de comunicação.

terça-feira, 11 de abril de 2017

Eu? Usain Bolt no aeroporto de Copenhaga* e Richard Branson aqui mesmo no Porto no Virgin Gran Plaza.

E vós? Quais foram as personalidades assim mesmo famosas com quem coexististes num raio de 5 metros ou assim, hum?!

*Diz-me o meu marido que me engano e que não, que não foi no Copenhaga, mas sim no de Bruxelas, e pois que é bem capaz de ter razão. (Diz-nos a lei dos grandes números lá teria de vir o dia...)

quinta-feira, 6 de abril de 2017

Das mil e uma maneiras de deitar dinheiro à rua...

Fez por estes dias um ano que regressámos de uma viagem de três semanas (três semanas, não três dias, hã) ao Rio de Janeiro. Recebo uma notificação do Google a mostrar-me fotografias de "Há um ano atrás..."

Chamo o Baby para lhas mostrar.

Diz ele muito admirado:

- O quê?! Mas eu  andei de abião?!!! A xéio?!!!!

- Hã?! Mas então já não te lembras, filho?! Vimos as nuvens lá em baixo...

- De abião?! Eu?!! Xim?!

- Sim filho, tu, eu, o papá e o mano...

- Oh! A xéio?!!

- E não te lembras de irmos à praia?

- Ah xim, da paia lembo...

- Lembras, filho?! Da do Brasil?

- O que é o Bajil?

- É um sítio, filho. E tu já estiveste lá.

- Eu?!! Oh!... A xéio???!!!

- Olha, e destes macaquinhos nas árvores, lembras?

- Oh! Macacos??!!! Nas áboís??!! A xéio??!!!

(...)

A sério filho, a sério...


terça-feira, 4 de abril de 2017

Bom, minha gente, vamos lá... Todos juntos! Porque os ignaros, ou lá o que é, também têm direito à vida.

Diz o(a) CAP CRÉUS no post abaixo que o que não falta por esse país fora são museus, super interessantes, gratuitos todos os Domingos (todos hã, não apenas no 1° de cada mês), e o que eu vos propunha é que contribuíssemos todos para elaboração da lista dos imensos museus nessas condições, que isto, já se sabe, temos de ser uns para os outros.



Eu até lhe perguntava diretamente mas diz que ele(a) se enoja "um bocado" (vá lá que não é muito) em ter de lidar com pessoas da minha índole e também não vale a pena sujeitá-lo(a) a isso, que isto cada um é como cada qual e já se sabe que temos todos de nos respeitar nas nossas idiossincrasias.

Vá... Um por todos e todos por um, Yes, we can! e se isto não é serviço público então já não percebo nada!

3, 2, 1... Go!

Eu avanço com o primeiro:

1. ...

(...)

Eeeer... Bom, na verdade não conheço nenhum, mas bom... Toda a gente sabe que eu é mais bolos.

Sim, vamos todos fazer de conta que não sabemos que em 2011 a coligação PSD/PP acabou com tal gratuitidade, para a permitir apenas uma vez por mês, que tal reposição foi aprovada na AR no fim do ano passado, mas que a medida ainda não foi posta em prática... Schiuuu... Não digam nada que isso só mostra que não saem de casa... Sempre em frente à televisão/computador, em vez de irem a museus...

domingo, 2 de abril de 2017

A ideia era aproveitar a borla do primeiro domingo de cada mês e levá-los a ver os Mirós...

Mas depois a fila quase dava volta ao quarteirão. 
Num plano B engendrado à pressa, optámos pela arte de rua e soube-nos a ginjas.







quarta-feira, 29 de março de 2017

Começo a achar que exagerei naquilo de o educar para o sentido crítico...

[Baby] Mãe, vai-me buscá a pastichina...

(Plasticina)

[NM] Ui... E então é assim que se pede?! Não falta aí uma palavra, nem nada?

[Baby] Fáchabôr...

[NM] Ah, bom... Estava a ver...

Mete-se o Jr., todo lampeiro, na conversa.

[Jr.] Claro mãe... "Faz favor" é uma palavra... Ahã!... Se achas que isso é dar boa educação...

(...)

Cansa-me... Este miúdo às vezes cansa-me!



terça-feira, 28 de março de 2017

Só mais uma história sobre os problemas de matemática em aberto e já me calo.

Talvez o problema de matemática em aberto mais conhecido seja a prova da Conjectura de Goldbach.

Christian Goldach (1690-1764) foi um matemático contemporâneo de L. Euler que conjecturou que qualquer número par maior que dois pode ser escrito como a soma de dois números primos,

Tal como 20 = 7 + 13 ou 100 = 89+11 ou 438 = 29 + 409.

Ou seja, apesar de ainda não se ter encontrado um caso onde tal conjectura falhe (o designado "contra-exemplo", indo verificação já no 4*10^8 pela mão do português Tomás Oliveira e Silva: ver http://sweet.ua.pt/tos/goldbach.html), também ainda não se conseguiu a demonstração matemática da sua generalidade.

E agora, a história que vos queria contar.

A este respeito foi publicado um livro: Uncle Petros and Goldbach's Conjecture, que versa sobre um tio Petros que ficou obcecado com o problema, e que a dada altura se convenceu que tinha conseguido a prova matemática. Pela sua mão, a conjectura passaria então a teorema.

Por altura do lançamento do livro, em 2000, as editoras (a Bloomsbury nos EUA e a Faber and Faber no Reino Unido) fizeram um seguro, consultaram matemáticos de Fields e, como manobra publicitária, lançaram um concurso: seria atribuído 1 milhão de dólares a quem, no prazo de dois anos, conseguisse a prova da Conjectura.

Ninguém conseguiu. E o milhão de dólares ficou por entregar.

Mas... O tal concurso tinha um constrangimento muito sério, já que só era admissível a moradores ou nos Estados Unidos ou no Reino Unido. (Provavelmente com medo dos portugueses.)

Os portugueses tiveram no entanto a sua oportunidade por via das Publicações Europa-América que com edição da versão traduzida: O Tio Petros e a Conjectura de Goldbach, também deu a oportunidade aos seus leitores de enriquecer por via de tal demonstração e lançou o mesmo concurso.

Bom... Quer dizer... Claramente com medo do intelecto tuga, as Publicações Europa-América não fizeram o concurso bem bem igual... As diferenças?! O concurso esteve aberto apenas 1 ano, não 2. E o prémio era de 10 000€, não de $1 000 000.
"Melhor jogar pelo seguro. No outro concurso eram elegíveis trezentos e tal milhões de pessoas e ninguém conseguiu, mas com os portugueses nunca se sabe... Quando mete dinheiro então, são do piorio...", terão pensado.

Obviamente que ninguém conseguiu, mas também com um prémio tão fraquinho... Mais vale tentar a sorte a ligar para aqueles números dos programas do Goucha ou assim...

segunda-feira, 27 de março de 2017

Da matemática, da ignorância ruidosa e de como ainda nunca me faltou a paciência para iluminar pobres almas no que a este particular diz respeito.

Eu bem tinha a certeza que já aqui tinha escrito sobre um conceito que me é muito caro (e que me pôs na contingência de ter de lhe arranjar um nome) que é o da ignorância ruidosa, que é aquela ignorância levada a cabo por aqueles ignorantes que, além de espalha brasas, assumem a ignorância alheia. Google, 0.3 segundos e... Tcharan! Ora aqui está o dito

Tendo eu formação académica em matemática, vai na volta surge-me à mesa do café, pela boca de terceiros indignados, a questão dos problemas de matemática em aberto... O mais antigo carece de resposta há mais de 2 500 anos, e todos têm em comum o problema de serem muito, mas mesmo muito, pouco sexy. Terão mesmo sexyness negativa...

O problema mais antigo de matemática tem a ver com números perfeitos, que são números iguais à soma dos seus divisores (excluindo o próprio), como sejam o 6 = 1 + 2 + 3, ou o 28 = 1 + 2 + 4 + 7 +14. A este respeito, Leonhard Euler (1707-1783), por muitos considerado o maior matemático de todos os tempos, provou que um número par é perfeito se e só se tiver a forma 2^(p-1)*(2^p-1), onde p é tal que 2^p-1 é um número primo.

E agora... Assumindo que ainda não desertastes... O problema matemático em aberto mais antigo é.... {rufar de tambores}....

Há algum número perfeito ímpar?



E então, hum?! Extasiados ou quê?...
Pois é... Eu sei, eu percebo... Eu avisei que era um problema tão sexy quanto um homem de Birkenstock e meias das raquetes a coçar o rabo...

Mas é precisamente nesta parte, quando vê referência nalgum jornal ou página web aos tais problemas, que o ignorante ruidoso começa com as suas larachas. Claro que ele até percebe que os matemáticos do planeta não passaram os últimos 2 500 anos a tentar resolver a questão. De qualquer das formas, não percebe que exista algum, um que seja, que ainda gaste uma semana, um dia, uma hora que seja, a tentar resolver o problema. Diz o ignorante que é estúpido, que, pronto, mesmo que se chegue a uma resposta... Ok... E o Mundo ganha o quê com isso? Pronto, provaste que todos os números perfeitos são pares! Pronto... palmadinha nas costas... leva lá a taça... Mas esta gente não terá mais nada que fazer?! Escavar batatas ou assim... Ah-ah-ah! Ri-se sempre muito o ignorante ruidoso...

É nesta parte que eu endireito as costas, chego a cadeira à frente, engulo em seco, bebo um gole de água, pego na mão do ignorante e olhando-o nos olhos... "Vem cá meu filho, que tenho umas coisas para te dizer... Primeiro não é escavar batatas que se diz, meu bem, mas sim cavar batatas... Ca-var... Depois... Bom, depois... Ouve bem o que eu te vou dizer... Chega-te aqui à minha beira, que as minhas palavras iluminar-te-ão a vida e delas darás conhecimento a filhos e netos..."

E depois, muito calmamente, imbuída de um estranho espírito de missão e com uma paciência que me pergunto sempre onde raio a fui desencantar, explico ao ignorante que o que importa não é o resultado, que isso deixou há muito de importar. O que tem de tão importante e de profundamente excitante (qual sexy qual quê...) este e os outros problemas em aberto, é o método que levará à sua resolução. O método para se resolver o problema é que será importante e certamente inovador. Afinal são 2500 anos de matemáticos a tentar... O que importa é o método, não propriamente o resultado. Percebeste, meu doce? O método... Não necessariamente o resultado... E sim. Será necessariamente um grande, grande, resultado. Para todos... Até quiçá para ti, minha pobre alma...

Com a mesma paciência de Jó, o explicou L. Euler no seu Theoremata circa divisores numerorum (1750).


O que é mesmo engraçado nesta história é que neste artigo L. Euler demonstrou verdades matemáticas tão sexy como o problema em aberto que me levou a escrever em post. Igualdades, inferências e constatações a envolver números... Ahã!


Mas, dizia eu e agora muito a sério e esquecendo o tom jocoso do post, o que é mesmo mesmo engraçado, é que é neste artigo, onde L. Euler desabafa e opina, sobre o investimento no conhecimento pelo conhecimento, que estão demonstrados os resultados que estão na base da segurança da encriptação que nos permite fazer as transações online que tanto apreciamos. Acho isto maravilhoso! Em 1750 um matemático encoraja os colegas a não desistirem de demonstrar factos aparentemente sem utilidade porque podem ajudar a desvendar "more useful truths". Em 2017 gerimos a nossa vida sentados no sofá, suportados por aquilo que ele, a seu tempo, quase pediu desculpa por apresentar...






sexta-feira, 24 de março de 2017

Assim num instantinho...

A minha sogra fez anos. Oferecemos-lhe um candeeiro de mesa, de porcelana, mui lindo e phyno - uma classe. O Jr. foi comigo buscá-lo à loja e disse-me que até gostava "dos desenhos" mas que por ele tínhamos comprado um prato, até podia ser daquela coleção, mas um prato. Diz que a casa da avó tem luz que chegue e que o prato sempre servia para comer... Enfim, boys will be boys.  
Furou-se-nos um pneu. A um domingo e longe de casa, não sendo a ridicularia daquele pneu fininho que agora os carros trazem solução para o regresso. Depois de muito investigar lá descobrimos uma oficina aberta, capaz de nos trocar o pneu. Estavam esgotados os 30 km que o pneu fininho nos permitia. Lá chegados disseram-nos que afinal o pneu não estava furado, que talvez fosse só um problema na "bábula", a quem deram um "valente apertão". Regressámos ao Porto, tarde e a más horas. No dia seguinte, na correria matinal e no limiar temporal, dei com o pneu em baixo. Afinal sempre estava furado. Afinal não era problema da "bábula" que, pelo sim pelo não, levara um "valente apertão". Valha-nos ao menos isso.
Assumi sozinha um projecto que, na sua essência não era meu. Ou apenas meu, vá. Vi-me refém de uma plataforma electrónica ineficaz e via única para declaração de interesses. Falhando eu, falhávamos todos e, nesse caso, responsável só haveria uma pois claro. À beira do abismo, dei um murro na mesa que, plim, desbloqueou a situação. Trepidações mágicas, aquém e além fronteiras. Um stress que nem é bom lembrar.
O meu telemóvel faleceu-me nas mãos no dia, ó infortúnio, em que mais precisava dele. O telemóvel que um amigo me emprestou também.
O meu filho mais novo apanhou varicela. Até nem custou muito e hoje já foi para a escola.
O meu telemóvel regressou inesperada e num repente, tal como partiu, numa manhã de nevoeiro e com um ar como se nada se tivesse passado. Grandessíssimo sonso... Qualquer dia parte de vez... Aos bocadinhos e contra uma parede.
Trabalhei ao fim de semana. Resolvi o dobro das coisas em metade do tempo. Percebi que as pessoas confiam em mim. Sem que nunca tenham falado comigo.
Tremi das pernas num bloco operatório e levei uma anestesia geral. Acordei de bem com a vida, o que fez as enfermeiras rir. Dão drogas bem boas no hospital, é o que vos digo. Tive alta um dia antes do previsto.
Acabei um dos melhores policiais que já li: Último Acto em Lisboa, do Robert Wilson. Devia ser de leitura obrigatória em Portugal. Uma parte obscura da nossa história está ali plasmada, numa vivência admirável para um escritor estrangeiro. Por altura da segunda guerra, este país de brandos costumes, do Futebol, Fado e Fátima, jogou nas duas equipas, amealhou e construiu pontes. Gostei muito. Sugestão do meu chefe. Recomendo vivamente.
Pedi sugestões às minhas amigas para um livro mesmo mesmo bom, que eu lesse de um fôlego durante a minha convalescença. Gravei todas as sugestões no coração, vou lê-las assim que puder, mas o empregado da livraria convenceu-me num entusiasmo contagiante a comprar um calhamaço de 700 páginas. Se-te-cen-tas páginas. Disse-me que ia desejar que tivesse 1200 e que ainda havia de ir lá agradecer-lhe. Acenava com ele aos colegas, como quem pergunta "e então?", e os colegas respondiam-lhe ao longe com um aceno de "boa escolha, sim senhor". Foi este: A Verdade Sobre o Caso Harry Quebert de Joël Dicker. Livros de 700 páginas são uma bosta, uma valente bosta. Deviam ser proibidos. Faz falta no livro esse conselho de Harry Quebert (e olhai que não faltou oportunidade ao longo de se-te-cen-tas páginas). São pesados e desconfortáveis. Fazem dor nos braços e uma pessoa não arranja posição... É muita página... É fisicamente difícil. Principalmente quando se leem em 3 dias. Se tendes mais que fazer não lhe pegueis. Olhai o que vos digo.

segunda-feira, 13 de março de 2017

Hoje fomos fazer uma actividade à escola do Baby...

E queria deixar aqui um recadinho às educadoras e auxiliares das salas dos 2 anos espalhadas por este Portugal fora.

Então é assim:


terça-feira, 7 de março de 2017

Fiquei contente por avisarem que as mangas estavam maduras...

Caso contrário, uma pessoa até podia comprar mangas praticamente podres a pensar que ainda estavam verdes.



Podres. Estavam podres. Peguei numa e foi por um triz que não fiquei com os dedos lá enterrados. 

Mercearia familiar?!
Não. Sucursal do Belmiro mesmo.

quarta-feira, 1 de março de 2017

"Sabes mãe, hoje um menino de 11 anos disse CA-RÁ..."

Eu arregalo muito os olhos, com a cara meio torcida, como quem diz "acabas a palavra e eu nem sei que te faço"...

Continuou o Jr:

"Ui... Já estás com essa cara... Está bem, está... Quando te disser que em vez de um I veio um L, um H e um O, até desmaias!"

(...)

Não desmaiei.
Mas ri-me.

Passo a minha santa vida a dizer isto...

O que é preciso não é quem saiba mais, é quem faça melhor.

Por isso tudo vai de arregaçar as mangas e dar o corpinho ao manifesto ou, então, é dar meia volta e ir pregar para outra freguesia.

Simples, não é?

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Por acaso gostei de ver aquilo lá no espetáculo de marionetas que são os Óscares...

Num evento de um micro cosmos onde todos parecem automatas, onde todos representam, onde tudo é programado ao mais ínfimo pormenor... As piadas, os discursos, os aplausos, as poses dos bonecos enfiados nas fatiotas escolhidas por equipas de profissionais... (Giro, giro, era há uns vinte anos... Onde, enfim, era só malta com dinheirama a alindar-se para um festarola, dando largas ao seu sentido de estética...) 

Por isso, gostei. Gostei de me ter apercebido que por trás daquela fantochada toda até há, enfim, gente. E a gente engana-se, claro que se engana. As máquinas é que não.
Até se portaram todos de forma bem digna quando se aperceberam do erro. Ninguém fez birra nem ninguém gritou que quem dá e tira para o inferno gira. 
Gostei de ver, não sei se já disse. 

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Já fui buscar a carta registada que veio das finanças...

E... Surpresa!... Não era para me informar que fui contemplada com a factura da sorte.

Ora, bolas!

Pronto... Descobriram-nos! Sim, caríssimos, é verdade! Nós lá em casa é assim:


#sovamostodosperdertempo
#mastudobem

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

O drama, o horror, a tragédia...

Perdeu-se um olho ao leão.

Oh valha-nos o São Padroeiro dos Desfiles de Carnaval...

E agora?!

Eu bem o tentei convencer que o fixe, fixe, era ir de leão zarolho. Que o leão perdera um olho porque era muito valente e lutara contra um dragão, não, imensos dragões, dragões enooormes e terríveeeis, e, mesmo assim, sozinho, conseguira salvar a savana inteira. Os outros leões, as girafas, as zebras, as hienas... Todos, todos, todos... Salvara todos! Era um leão muito valente aquele. Tão valente, mas tão valente, que lutou com tantos e tão ferozes dragões e só tinha ficado zarolho. 

Mas não... Diz que não. Diz que um leão pirata é que é. Uma história tão linda a do leão zarolho... Enfim...




Tal e qual.


Ontem na caixa do correio tinha um aviso para ir levantar uma carta registada das Finanças...

Estou cá desconfiada que me saiu a factura da sorte.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Quando estás exactamente a meio da verdadeira semana de cão...

E não tens ninguém à beira que te passe a mão pela cabecinha e te diga qualquer coisinha que te aqueça o coração. 

"Pronto, pronto... Já vai passar!", digo eu de mim para mim própria.



quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Já pensei muitas vezes nisto...

Já me questionei muitas vezes sobre a forma como uma pessoa culta, um estudioso, um erudito, quiçá filósofo ou assim, insultaria.

Por exemplo, ia Immanuel Kant muito sossegadinho lá na sua vida quando passa uma carroça com muita velocidade sobre uma poça de água, molhando-o todo. Ao Immanuel sobem-se-lhe os calores, dão-se-lhe os nervos, e insulta o carroceiro como?

Eis que se não quando surge-se-me um vislumbre... Uma espreitadela por entre os buraquinhos da persiana...


"Cafre", hã! "Cafre"! 

É um insulto muito bom... Vou levar para a vida. 

É que uma pessoa insulta, desopila os fígados e o mais certo é a outra parte não perceber e assim não se corre o risco de receber um pêro na mona como troco. Gosto muito.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Mais depressa se apanha um mentiroso...

Desde Sexta, dia em que o Jr. adoeceu, e até ontem o Baby dizia que, enfim, também queria estar doente. (Se o irmão tem, o Baby quer, e é isto a minha vida.) Por acaso os desígnios divinos fizeram-lhe a vontade e agora que de facto adoeceu, claro, que já não o quer assim tanto, mas adiante...

Sábado, ainda fresco como uma alface, dizia-me o Baby a apontar enfadado para um restinho de comida no prato:

- Não quéo comé maix...

- Não queres comer mais?! Porquê?

- Puque não...

- Dói-te a barriga?

- Não... Dói a gaganta...

- Dói-te a garganta??!!... Mas dói muito ou pouco?

- Muito!

- Hum... Mas olha... Onde é que fica a garganta?

- Não xei...

(...)

Tramadas... Estas dores vindas de sítios que não se sabe onde ficam devem ser tramadas...

Trigo limpo, farinha Amparo.

Hoje o mais velho foi para a escola convalescente de uma gastroenterite.

Hoje o mais novo não foi para a escola porque apanhou uma gastroenterite.

Pão com bife.

O Jr. apanhou uma gastroenterite má. Muito má mesmo. Tão má como eu nunca tinha visto.

O Jr. que já era magrinho perdeu muito peso. Nota-se-lhe a anca. Com ele de costas. 

Esteve três dias sem comer, quatro sem segurar nada no estômago e a horas de ficar internado.

Ontem perguntei-lhe o que queria lanchar. Pediu pão. Com bife. 

A seguir jantou arroz. E bife.

Antes de se ir deitar quis comer pão. Com bife.

Hoje quis  ir à escola. 
Foi. 
Triste porque não havia pão com bife para o pequeno almoço.

Bifes. O corpo pede-lhe bifes.

O meu pede-me tempo. 

Mais fácil arranjar bifes.

sábado, 4 de fevereiro de 2017

NM refere-se a si própria na terceira pessoa e pede desculpa por isso. (Deve ser dos nervos.)

NM abandona o seu posto de trabalho a meio do dia para ir buscar o seu filho mais velho à escola, em consequência de este ter vomitado.
NM, já em companhia de seu mui abatido filho, estranha a porta de seu pequeno prédio estar só no trinco, e não fechada à chave tal como combinado com os vizinhos, mas não valoriza. NM fecha a porta do prédio à chave.
NM entra em casa e cumprimenta D. Albertina, sua empregada. Filho de NM pega no seu tablet e voa para o sofá.
Em menos de cinco minutos batem à porta. NM espreita e vê um estranho que lhe explica que estava a fazer um biscate no 1º andar e que agora se queria ir embora mas que não conseguia sair porque a porta do prédio estava fechada à chave, se alguém lha podia ir abrir. D. Albertina oferece-se para tal. Dois minutos depois aparece D. Albertina esbaforida, que tinham estragado a porta de entrada, que não abria. Estranho colado a ela. NM olhou estranho nos olhos e percebeu que este estava psicotropicado, se é que a palavra existe. Irrefletidamente e para manter o estranho longe do ninho, NM sai, fecha a porta de casa, leva a mão ao bolso a confirmar que leva telemóvel e pede ao criador que seu filho esteja mesmo absorto lá no seu jogo e que se deixe ficar sossegado dentro de casa, sem se aperceber que estava sozinho.
NM junto à porta da rua, com fechadura estropiada, toma consciência que está barricada dentro de seu prédio, com estranho psicotropicado, com empregada que não parava de o confrontar com as suas incongruências e com um filho de seis anos doente quatro andares acima. NM lembra-se que não estava nenhum carro na garagem e que, provavelmente, não estaria mais ninguém no prédio. NM voa escadas acima a bater a todas as (quatro) portas e confirma que não, de facto não está mais ninguém no prédio.
NM mantem a calma. NM mantem o estranho calmo e faz sinal à D. Albertina para se manter calma, sem confrontar nem fazer perguntas. 
NM lembra-se que existe um martelo quebra vidros ao lado das caixas de correio, para ser usado em situações SOS tal como aquela estava a ser. NM tem medo de não conseguir partir o vidro, de magoar alguém ou de o estranho passar a usar o tal martelo como arma. NM pensa enquanto vai dando palpites soltos de como a D. Albertina e o estranho hão de conseguir abrir a porta. Façam força aqui, façam força ali, agora para cima... "Talvez ligar aos bombeiros... Mas se vêm os bombeiros vem polícia..." NM fala em polícia para ver a reação do estranho. Estranho não reage. Enquanto estão entretidos aos safanões à porta NM esgueira-se uns degraus e liga ao 112. NM pensa no filho e pede ao criador que ele não lhe apareça ali naquele momento.
Chega a polícia. Estranho olha esgazeado para NM e D. Albertina, mas nada diz. Continua a tentar abrir a porta. NM passa a chave a um polícia pela abertura da ventilação. Faz sinal a outro a pedir contacto por telefone. Polícia mostra número a NM. NM sobe uns degraus e explica em tom baixo a situação. O segundo polícia sempre a falar com o estranho, para puxar a porta, para empurrar, agora não, agora para cima... Suponho que, pouco mais estivesse a fazer que a mantê-lo ocupado. Polícia acalmou NM, que nada de mal aconteceria agora que eles estavam ali. NM disse que não sabia se o estranho estava armado, que não estava mais ninguém no prédio e que estava uma criança sozinha num determinado andar. O que quer que acontecesse era preciso ir saber logo da criança. NM estava aparentemente calma mas tinha a clara sensação que a situação se podia descontrolar a qualquer momento e por um qualquer clique.

Polícia não conseguiu abrir a porta. Os bombeiros sim.

NM fraquejou das pernas quando viu a porta aberta, e mal o estranho foi manietado NM voou escadas acima a saber de seu filho. Filho de NM dormia (?) profundamente no sofá. Tablet caído no meio do chão. E esta, hein? NM desceu e abraçou D. Albertina, mais conhecida por nem-nem-nem (nem ouve, nem cheira, nem limpa), e recordou porque a mantinha vai para 10 anos. D. Albertina não abandonou NM por um segundo, conseguiu controlar os nervos, conversou e distraiu o estranho enquanto me ausentei para ver se havia mais gente no prédio e para ligar à polícia. D. Albertina é uma mulher com os tomates no sítio. D. Albertina tinha sido, na verdade, mulher para arrumar o estranho com dois pares de lambadas bem assentes. Acho que aquilo das "mulheres do Norte" se deve a mulheres como ela.

O estranho não estava armado nem nenhuma casa tinha sinais de arrombamento. Mas estranho foi levado preso porque tinha um mandado de captura pendente.

Já a situação estava perfeitamente controlada e NM tremia ao falar com os bombeiros. NM tremia ao falar com a polícia.

NM ainda treme agora, passadas 24 horas, ao pensar no que podia ter corrido mal.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Se a Beyoncé podia ter arranjado uma foto mais azeitola para anunciar a sua gravidez?

Poder podia... Não, não podia.

Sou só eu que sempre que anda de alfa...*

Tem vontade de acrescentar um ponto de exclamação à sinalética de Free Wi-Fi?


Sim...

FREE WI-FI! 

Se de facto, e tal como apregoam, têm Wi-Fi, libertem-na, caramba!

*Ou de como a Wi-Fi da CP é o novo Willy!

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Dares um erro ortográfico numa discussão nas internetes...

É o mesmo que estares a discursar presencialmente sem te teres apercebido que tens um pedaço de couve preso nos dentes. 

Tanto podes estar a falar da quadratura do círculo como do aquecimento global ou da escassez de água potável em África... A sério, tanto faz...

Afinal tens um pedaço de couve preso nos dentes. Quão ridículo podes ser, hein?

The staring goat.

Resultado de imagem para staring goat

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

NM demonstra ao seu vasto auditório que não se trata de se ser de esquerda ou de direita, mas antes de se ser dotada de uma notável clarividência. E modéstia.


Não, caro Quintela, o que o seu sócio disse foi sério e assustador. Factualmente sério e assustador. Não há chalaça que o aligeire. É assustador ouvir um patrão, sócio gerente de mais de 40 lojas, responsável por mais de 800 “colaboradores” (o que quer que isso seja) - isto em apenas 6 anos de actividade (ganância alert!), falar assim.

Despojando a crónica do folclore, Quintela limita-se a dizer que a Padaria Portuguesa cumpre a lei e os seus deveres (legais). É o único que se lhe percebe por entre os mortais encarpados, que a sua empresa cumpre a lei.

Ai a PP cumpre a lei? Pronto. E então? Era suposto a malta levantar-se numa salva de palmas nacional? Não. Se a PP cumpre a lei, mais não faz que a sua obrigação. Se há quem não o faça, os outros é que estão em falha, não é a PP que merece um prémio por serviços prestados à nação.

Que a contratação em Protugal é muito pesada para as empresas? Pois é. E agora? Até se arranjar solução, tudo vai de ir vender bolos para o Bangladesh. Às tantas a malta lá também gosta e os custos com o pessoal iriam ser menores. Não sei, tenho cá esse feeling.

Ou se tem capacidade para pagar condigna e atempadamente a funcionários e fornecedores, ou mete-se a viola ao saco e reequaciona-se a expansão descrontolada (umas lojas darão lucro, outras nem tanto, começam a fazer-se concorrência umas as outras, as pessoas começam a enjoar, estão aqui estão a fechar lojas e, ides ver, que a culpa ainda há de ser da não flexibilização do horário de trabalho).

Neste particular (acho que nunca tinha escrito isto), gosto muito do argumento de quem bate palmas à PP e a outras cadeias maiores porque “criam emprego”. Sim, porque antes de haver PP, as pessoas não comiam bolos. Eu não sei se é muito mal pensado da minha parte, mas partindo do princípio que a população cliente é finita e que o número de vezes que se vai a uma pastelaria não é diretamente proporcional ao número de pastelarias existentes, para se criarem empregos ali, matam-se empregos noutro lado. As pessoas da Grande Lisboa  já comiam bolos antes de aparecerem as PP, não já? Pelo menos aqui no Porto as pessoas lancham e não temos nada disso de Padarias Portuguesas... Se eu passar a ir lanchar à pastelaria B, quando antes ia à A, se calhar a A ressente-se, não?! Eventualmente terá de despedir pessoal...


Não sei, digo eu. 
(Mas eu dei três erros numa só palavra no post anterior. Não sei se os meus bitaites serão lá grandes merecedores da vossa consideração.)

sábado, 28 de janeiro de 2017

Um exemplo paradigmático de como nunca em minha vida conseguirei ter uma discussão normal, em moldes normais, com a esquerdalha bloquista caviar, prIvilEgIada, superiormente letrada, pespineta e insolente.



Agora, dizei-me em que parte o JMT, ainda que ao de leve, de raspão ou tangencialmente, insinua que:


Onde?! A sério, onde?

O que chocou o JS, PhD? O facto de o JMT ter dito que as empresas têm de arranjar estratégias para colmatar a ausência de um empregado quando este está de férias, porque estando de férias não está, enfim, a trabalhar? Sabe, José Soeiro, PhD, que isto não é uma opinião mas sim um facto, verdade?
Em nenhum lado vi mencionado, insinuado sequer, que os trabalhadores não deveriam ter férias pagas. Também não vi referência aos pagamentos à SS como "extravagância dispensável" (?). Mas claro que a falha de interpretação pode ser minha, pois claro que pode...

...

É possível discutir seriamente com esta gente e com os seus motejos populistas e mancos de honestidade? Não é, pois claro que não é.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

"Pois filho, é a vida..." - lesson 0.1

[NM,, num arrebate de paixão maternal] Sabes Jr. és mesmo o filho que eu queria ter... Se eu pudesse ter escolhido entre todos os meninos do Mundo, tinha-te escolhido a ti na mesma...

[Jr.] A sério?!

[NM] A sério.

[Jr.] Hum...

(...)

... 5 minutos depois...

(...)

[Jr.] Olha mãe estive a pensar naquilo que disseste de me escolheres a mim...

[NM] E então?

[Jr.] Estive a pensar e se eu pudesse ter escolhido uns pais tinha escolhido uns America Ninja Uórióres.

(...)

Ok!












Há muito tempo que não tinha de fazer um esforço tão grande para não desatar às gargalhadas...


Descobri-o por aqui.

sábado, 7 de janeiro de 2017

Mas a todos direi que desapareceu porque explodiu. Talvez até me convença disso.

Sendo-me os outros o reflexo daquilo que eu me sou, triste será o dia em que perder a capacidade de me desiludir. Terá sido esse o dia em que deixei o meu ego finar-se à míngua.

Da possessividade.

[NM] Deixa... Deixa-me limpar-te o nariz...

[Baby, a querer fugir-me] Nãaaaooo!

[NM] Mas não, porquê? Explica-me lá.

[Baby] Puque os macacos xão meus...

(...)

E agora que penso já o Jr. não me queria deixar lavar o pote onde fez o seu primeiro cocó porque, lá está, o cocó era seu e eu não tinha nada que o deitar fora.

Hum... 
Estarei a fazer alguma coisa de errado? 
Vou ali debruçar-me sobre o assunto e já volto.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

De se poder sempre piorar.

[NM] Qual é o teu melhor amigo da escola? Dos meninos novos....

[Jr.] Hum... Acho que o Frango.

[NM] Frango?! Tens um menino na escola que se chama Frango?!!! É apelido?

[Jr.] Não. Ele chama-se Francisco. Nós é que lhe chamamos Frango. 

[NM] Hã?!?

[Jr.] Sim, não vês? Fraaan-cisco. Fraaan-go. Começam igual. E agora ficou conhecido assim. Toda a gente lhe chama Frango.

(...)

Estou capaz de apostar que a mãe do Francisco chegou a ponderar o nome da criança com medo que o tratassem por Xico.


Dão-se alvíssaras...

A quem me encontrar a inspiração.
É pequenina e discreta.
Na verdade mal se dá por ela, mas é a que tenho e parecendo que não faz-me falta.

Pode estar enfiada em qualquer buraquinho.  Olho aberto, portanto.


quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

O futebol, ai o futebol...

Ainda a propósito das palavras feias.
O Jr. e o Baby na sala e eu logo ali na cozinha. Sem ter percebido o que aconteceu só ouço:

[Jr.] OH POÇA!!!

[Baby] Isso não se diz...

[Jr.] Diz, diz! A mãe deixa quando estou zangado.

[Baby] Mas pôga não... Pôga não se diz...

[Jr.] Não, porra não... Porra só se pode dizer no futebol.

(...)

Eu?! Eu quedei-me a pensar que outras regras por mim desconhecidas existirão em minha própria casa.

Às Quartas, mas só às Quartas, o cansaço do meu marido tem tipologia.

Ontem chegou a casa um caco, tarde e a más horas, a queixar-se que estava exausto, que tinha trabalhado como um cão. Tremor nas pálpebras e olheiras quase até à boca. Estava tão mas tão cansado que só se queria deitar cinco minutos antes de... sair para o futebol!

"Mas vais jogar futebol assim tão cansado?"

"Oh sim... Este meu cansaço não é desse tipo..."

(...)

Estaria capaz de apostar que este mesmo cansaço o incapacitaria de ir às compras ou até de ir pôr o lixo à rua, mas pronto...


segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Um grande bem haja para ti, "Godigo"!

O meu filho mais novo é um animal social. Fala com toda a gente. Diz olá, sorri, mete conversa, pergunta "como te chamas", "quanto anos tens" (e é engraçado ver o embaraço dos adultos que normalmente assobiam para o lado mesmo comigo a fazer-me de distraída como quem não está a ouvir a conversa), "o que é isso" e diz que a saia/vestido/blusa (tudo que seja espampanante e capaz de ferir a vista a qualquer um) "é muito munito"... Enfim, onde quer que vá com ele, é certo e sabido que povo que exista a menos de cinco metros de nós lhe fica a saber o nome e que trago comigo o recado de que tenho um filho muito simpático. E tenho, sim senhor.

Estávamos nós os dois numa sala de espera, com ele por ali cirandar e a lançar charme. Já toda a gente se metia com ele e ele lá andava nas suas quintas.

De repente um dos seus animais cai para debaixo de uma cadeira e ele sai-se com um assertivo e sonoro: "OH, PÔGA!"

Eu, surpreendida porque de facto nunca lhe tinha ouvido tal, digo indignada o seu nome... Acto continuo, e consciente que o tiro me podia perfeitamente sair pela culatra (porque afinal os meus móveis têm esquinas, gosto de andar descalça, tenho - tcharan!, dedos nos pés, e a conjugação destes factores resulta-me por vezes num valente "Porra!", resulta sim senhor) arrisco: 

"Baby?!?!! A quem é que tu ouviste isso?". 

Responde-me ele... 

"Ao Godigo da escola!". 

Continuo eu, sem vacilar e a pensar na sorte que tinha acabado de ter: 

"Ai, ai, ai... Essas coisas não se dizem... E a professora não ralhou com o Rodrigo?". 

"Galhou!", respondeu ele. "Pois ralhou, porque isso não se diz..."

(...)

Ufa... Cá beijinho, Rodrigo!

E agora, com vossa licença, vou ali jogar no Euromilhões.