Dois gatitos, sem chip, adivinho, passeiam-se pelo nosso terraço e quintal, tal como pelos dos vizinhos, desde pequenitos. Ou seja, desde que nos mudámos para esta casa, faz dois anos em maio. Mas passeiam-se mesmo à boss, zero constrangimento pelos humanoides que eles até deixam andar por ali. "Schhh... Pouco barulho que isto é tudo nosso!"
Um deles preto e branco, outro siamês.
Nunca lhe demos comida. Nunca lhe tentámos fazer festas.
Mas também já houve vezes que não os ignorámos...
Como no outro dia, em que o siamês estava todo tranquilo sentado na mesa do terraço, encostado à janela. Vê-me dentro de casa e, tudo bem, zero preocupação. Bato duas vezes no vidro para o espantar, que é lá isso, raio do bichano. Ele?! Lambe os beiços e fica a olhar para mim com um ar de.... "E então agora tu?! Fazes pouco barulho ou quê?"
O preto e branco no outro dia estava a dormir no muro do quintal, aí a uns dois metros de altura... Marido e miúdos em alta algazarra: "Acorda, gato!! Acorda!". Ele... Abre um olho e... "Se fizessem pouco barulho é que era..." Zzzzzz! Marido toca-lhe numa pata... Ele?! Retraia-se um pouco com ar de: "E então agora tu?! Tiras a pata, ou vamos ter que nos chatear?". Continua a dormir.
Hoje apeteceu-me ir tomar café fora... Ao terraço! Vou buscar um cadeirão aos arrumos e ponho-o no spot estratégico para apanhar Sol. Há que tentar repôr níveis de vitamina D.
Estava tudo a correr muito bem até que tive de me levantar para ir fazer não sei o quê dentro de casa. Quando voltei...
"Azarito!... Quem vai ao mar, perde o lugar!"