domingo, 26 de outubro de 2014

Pessoas com filhos vs. Pessoas sem filhos - O disparate, o embuste, o horror...

Diz que andou aí uma polémica a propósito de uma crónica do Público que levou a que as pessoas com filhos se indignassem porque ah e tal e a vida delas não é nada daquilo mas antes o arquétipo da felicidade e, ainda por cima, diz que aquilo pode ter um efeito contraceptivo e logo agora, que horror, que o que o país precisa é de crianças. Por sua vez, e como é óbvio, as pessoas sem filhos também acharam que se deviam indignar porque ah e tal e o coiso e quem são as pessoas com filhos para as julgarem e rebéubéubéu pardais ao ninho... Um drama pegado, nem queirais saber...

E depois eu fiquei para aqui a pensar que esta "polémica" deve ter roubado o primeiro lugar às indignações modernas (e diárias) no que à estupidez diz respeito... Até agora tinha esse lugar guardadinho no coração para as alminhas que se indignaram com o desperdício de água potável que o Ice Bucket Challenge representou, porque ah e tal há povos em África que têm de andar km para ter água para beber... O que vindo das teclas de habitantes de um país onde se usa água potável para descarregar os autoclismos (a água de cada balde corresponderá, mais ou menos, a uma descarga), carrega uma tamanha leveza e leviandade que não sei se me dá mais vontade de rir ou de chorar...

Mas bom, vamos ao que aqui me trouxe... Lá fui eu à procura do texto (1188 comentários!) e aquilo é tão 1999 que até mete impressão. Lembrais-vos daquelas correntes que alguma malta achava por bem reencaminhar para a mailing list toda? Pronto. É disso que se trata... Uma graçola inócua, portanto.

Mas depois li aquilo segunda vez e, de facto, tenho de concordar que aquilo é um disparate pegado... E eu, mãe de dois, sinto-me no direito de expressar a minha indignação. Ora vamos lá ver... Ponto por ponto.



Que disparate... Eu de um modo geral anseio por Segunda e temo o Sábado (e todos os finais de dia em que o meu marido não está em casa). 



Que disparate.... "cartões de cinema ilimitadao"???? Ahahahahahahahahhahahah... Há disso, é? Mas isso deve ser MA-RA-VI-LHO-SO!!



Que disparate... Hum... Não... Este não é disparate nenhum... Este confere... Na plenitude!


Que disparate... Eu escolho os restaurantes em função do tempo que demoram a servir e da quantidade de clientes. Um buffet de qualidade sem muita gente é o paraíso.


Que disparate... Sitcom?? Nada disso.... Meio Dexter - já vamos na T8, imaginai! (Que saiu já há ~2 anos, não foi?)


Que disparate... Nós não sujamos nada... Eu como um pão com uma mão enquanto enfio colheradas de uma tachada de Cerelac com a outra... Cá torradinhas e sumo... Ahahahahahahah.... Que engraçadinha, ainda a provocar...


Que disparate.... Relax?? Relax?? É só o meu filho que precisa sempre de ir ele próprio à casa de banho naquele preciso momento e àquela casa de banho em particular??.... (Quando temos sorte com os tais 5 minutos eu arranjo as sobrancelhas e o meu homem joga PSP.)


Que disparate... Eu prendo o miúdo dentro do carrinho. Não sai de lá até chegarmos outra vez ao carro. Compro-lhe algo que ele queira (de comer). Uma coisa. Escolhe antes de entrarmos. Deixo-o escolher o sabor dos iogurtes. Não pedincha nada. Não costuma correr mal.


Que disparate... A sério, que disparate... Isto roça aquilo do vergonha e confrangimento alheios. (Uma vez disse ao meu marido que o chão estava molhado, para ele ter cuidado que podia dar um "Pumba"... A nossa relação nunca mais foi a mesma e, às vezes, ainda acordo com suores frios a pensar nesse momento.)


Que disparate... Nós dispensamos o despertador porque o nosso filho mais velho cumpre perfeitamente a função. O mais pequenino faz, por sua vez, as "vezes" do snooze... Ainda esta noite, ele com o nariz entupido e a deixar cair a chupeta, foi de 15 em 15 minutos... (E eu disse tanto palavrão mas tanto palavrão... Acho que cheguei a chorar... Acho, não tenho a certeza...)


Que disparate... Nós às vezes também vamos a casa de amigos... Às dos que têm filhos! Outro dia fomos a casa de uns sem filhos... Têm gatos, pelo que achei que fosse mais ou menos a mesma coisa. Um dos gatos atirou-se da janela... Diz que desenvolveu o síndrome do gato paraquedista... Coincidência certamente!


Que disparate... Eu até queria saber onde mora a Xana Toc-Toc... E fazer-lhe uma espera... (Agora de repente lembrei-me que tenho de voltar a perguntar à Mirone como é que se eliminam as nódoas de sangue da roupa...)


Que disparate... Dois quadradinhos??  Ahahahahahahahahahahahahahahah... Mas isso é o pior dos dois mundos... Aumenta às ancas e é inócuo para a alma...



Que disparate... Eu tenho esgotamentos nervosos EM cima das malas enquanto as tento fechar... Ficar diante das malas é só estúpido...


Que disparate... Esta é mesmo um disparate... A mim sai-me tudo comme il faut... Eu explico. É que eu guardo muito palavrão dentro de mim - e por acaso até acho que é isso que me faz engordar. Eu no trabalho não posso (quer dizer, não devo) dizer palavrões e em casa, por causa dos miúdos, também não... Restam-me as idas ao supermercado e assim, e aí também não ficaria muito bem... Posto isto, trago tudo guardadinho dentro de mim... Tuuuudinho! Pelo que quando algo de inesperado acontece tipo bater com o dedo mindinho na esquina do móvel ou quando quase bato com o carro, sai-me tudo de rajada... Tudo, porque naquele momento percebe-se e eu permito-me porque não tive tempo de reação e foi inesperado e tal... (...) Só uma nota a este respeito... Acho que desde que tenho filhos nunca mais disse um "Foda-se". Agora quando me sai sai-me um "Arre foda-se!", que se é para sair palavrão... Sai como deve ser...



Que disparate... Eu vejo o Homem Aranha e os X-Men e os Incríveis... (Mas o Pocoyo a dançar a Gangnam Style... Aaaaaiiii... Tonto!)


Que disparate... Se o vómito for pouquinho dá para tirar... (Eu era menina para dar o nobel da paz aos tipos que inventaram as toalhitas...) 

(...)

E então? Tenho motivos mais que sobra para estar indignada ou quê?

38 comentários:

  1. Não entendo a polémica bacoca. Ter filhos é um sonho, a maior felicidade... mas não se pode negar a trabalheira que dá e aquilo que nos "rouba".

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    1. S*, ter filhos é... Olha, é o que é... Pode ser uma felicidade ou uma infelicidade (será uma questão de perguntar às mães mal tratadas pelos filhos...). Tudo dependerá...

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    2. Ter filhos é um sonho? Eu bem digo que nunca me lembro de sonhar...

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  2. Olha, NM, não li tudo (do teu post) porque é comprido e tenho ali duas filhas para tratar.
    Mas confesso que o que me deixou mais estupefacta não foi o artigo - pah, é um texto, e eu li-o com um sorriso nos lábios e dizendo "confere" - mas a indignação, o drama, a inquietude.
    Parece que a malta anda com falta de "causes", e por isso agarra-.se a tudo: é o cão que vai ser abatido sem ébola ou se calhar sim, é a Ataíde que é gorda e a Sampaio que é magra ou afinal não e não, e é agora isto. A sério, não têm mesmo mais nada para fazer?
    É nestas alturas que fico a pensar que ainda estamos bem. Tão bem, que temos paciência e energia para nos agarrarmos assim a lutas e a cenas que nem sequer tem nada a ver.

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    1. Pois... Eu até tenho várias teorias e em tendo tempo escrevo sobre isso porque é coisa que me anda aqui a picar os miolos... Mas frequentemente, mesmo muito frequentemente assim quase que diariamente, também tenho esse pensamento do "afinal não devemos estar assim tão mal"...

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    1. Inclusivamente nas botas, certo? :DDDDDDDDDD

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    1. :)))))

      (Se o blogo-Deus vê este comentário-resposta benze-se três vezes... :D)

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  5. Isso foi escrito por pessoas sem filhos. Ou então uma daquelas blog-famosas que tem filhos tão perfeitos que até dá nojo!!!
    Vão mas é todos pro caralho!


    Ter filhos é um privilégio que não é pra todos.

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    1. Pah gota... Isso de ter filhos ser um privilégio... Para mim é, mas eu sou uma privilegiada...

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    2. Eu acho que é uma questão de perspectiva.

      Eu sou mãe, li o texto a sorrir, vi-me ali retratada algumas vezes, outras não me senti assim de todo (p.ex: existirá alguém , para além dos gajos nas novelas da Globo ou a malta quando está na lua-de-mel que enfarde paezinhos, croissants, sumo de laranja etc todos os dias ao pequeno-alomoço?).
      Em relação aos hábitos de sono tanto me identifiquei que copiei a frase para o meu FB pessoal: desde que tenho filhos nunca mais precisei de despertador. É um facto engraçado que, por vezes, não tem piada nenhuma mas é bom. É bom acordar com o miúdo ao meu lado a abraçar-me a dizer "bom dia mamã" ou um "amo-te".

      De resto, tem ali muita coisa que é mentira [para mim] mas outras que são verdade. Por outro lado, parece que há um endeusamento do "ser solteiro" que, por vezes, não passa de borgas-noites-bebedeira-dias sem fazer nada-ver a vida a passar,etc.
      Quem não foi já solteiro e quem nunca passou dias em frente da tv a vegetar? Quem nunca comeu porcarias porque só tinha que cozinhar para si mesmo? Eu tornei-me muito mais saudável depois de ser mãe, por exemplo, muito mais consciente dos produtos que meto na mesa. Em sociedade igual: mudei para melhor, para uma pessoa com maior noção do que se passa, dos problemas dos outros, mais empatica, com uma maior capacidade de relativizar e compreender.
      Na realidade é isso que me espanta, com tanta coisa a acontecer na vida decidem dar tanta importância àquilo? Aquilo é uma opinião pessoal e não passa disso.

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    3. Ora a anônima tem muita razão naquilo que escreveu. Estou de acordo com muita das coisas que escreveu. Mas o texto em questão tem alguma piada numa ou noutra coisa, mas ter filhos é muito mais que isso!! Não é perder saídas ou bons jantares é viver com outro propósito na vida.


      Mas isto é a opinião de uma mera alentejana que vive num meio muito pequeno, mas já disse uma vez e continuo a dizer, não é qualquer pessoa que pode ser mãe ou ser pai. Tem que haver uma fibra natural e uma força sobre natural para trazer um ser humano ao mundo e educa-lo! Não é pra todos.

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    4. Anónima, a verdade é que também há um endeusamento da maternidade... Cada um puxa a brasa à sua sardinha.... Parecem miúdos de escola... Mas sim, ser pai/mãe, educador e tutor e exemplo e modelo de vida não é para todos não...

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    5. Eu concordo com ambas.
      Em relação ao endeusamento do ser solteiro vs. maternidade estava a referir-me obviamente ao texto em si (o original) e mesmo esse não sei se não será um pouco irónico.

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  6. há assuntos que são como as vindimas, são sazonais. acontecem num altura própria, têm calendário, assim como outras (apanhar batatas, por exemplo). é conforme a "saison" e o momento: há por aí umas linhas sobre demografia? e isso mete crianças? ó diacho! é capaz de haver aqui um nicho de leitores (está muito na moda, isto do "nicho")...calhava bem um artigo, onde houvesse "algo" versus "outro algo", e com pendor maniqueísta! eu já nem me indigno...se calhar estou anestesiada. estive a ver a mary poppins com filha já crescida, deve ser por isso...

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    1. É que é mesmo isso... E há que aproveitar esses tais nichos... E do lado de cá há que relativizar, até porque isto é o que é... Coisa poucochinha!

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  7. A M E I. Eu li o original e achei que sim, assim era. Eu também já estive do lado de lá... Mas o primeiro ponto, é o que mais concordo contigo. E o do ó -ó que disparate. Ter filhos é muito bom, e eu que tive anos de prognóstico de infertilidade digo mesmo, é fantástico. Mas às vezes, desculpem a sinceridade, tenho saudades de não os ter. Dormir até tarde, uma refeição com conversas de adulto, um cinema, ginásio à hora que bem entendesse, sem ranho, sem pintas, sem choraminguices... Ahhh que saudades

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    1. Oh pah... Às vezes também andas muito cansada, não andas?? Eu tenho dias em que... Dormir... Só me queria deitar e dormir...

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    2. Desde 25 de Dezembro do ano passado, altura em que quase morri a parir a mai nova, que cansada é o meu primeiro nome e dormir o unico verbo que me apetece conjugar... Eu durmo, ela não dorme, nos queremos dormir, eles não, etc

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    3. Claudia, ao menos tem sentido de humor! Uma mãe que encare os temas da maternidade/paternidade com sentido de humor, que se ri destas balelas, é uma raridade! ;)

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    4. Melissa, sempre! Se não atirava-os pela janela... :)

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  8. Não conhecia o original...mas acho que a tua versão devia ser capa do público

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    1. Ahahahahahahahahaah Era, não era? Para assumir contornos de loucura completa... :DD

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    1. Eu lembrava-me... Era só para ver se estavas atenta... :DDDDD

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  10. Pipocante Azevedo Delirante27 de outubro de 2014 10:40

    Infelizmente, essa do "pais com filhos" é em certo ponto verdade porque as criancinhas são uns monstros. A última vez que fui a um restaurante, com a Digníssima e o Petiz (5 anos), ajudei a correr com duas senhoras que ficaram ofendidas porque me queixei à empregada que as suas crias andavam a correr e a berrar pelo restaurante inteiro. É natural que essas senhoras se revejam nos esteriótipos.
    Quanto a mim, não tenho dúvidas. Parentalidade é o fim da nossa vida enquanto indivíduo. Porque as nossas decisões deixam de nos afectar exclusivamente, para passarem a afectar um ser que não autonomia ou capacidade de tomar decisões. Tão simples quanto isso. A única coisa que muda a sério ao ter um filho é o nosso grau de egoísmo.
    O resto? Deixar de ir ao restaurante, ao cinema, levantar cedo... tudo muda, com diferentes empregos, com a idade, com as manias. São fases da vida, hoje não faço coisas que fazia há 20 anos (incluindo gamar carrinhos de supermercado), porque a mente e o corpo evoluíram... para mehor ou pior, é discutível.
    FInalizando... não gosto daqueles que apregoam a felicidade de uma vida perfeita, e que encaram ser Pai como algo de natural e fácil... nem aqueles que são mártires porque trabalham lavam a louça e criam 3 filhos. Ser Pai não é benção, nem é sofrimento.

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    1. Hum... "Ser pai é...", ora diga-me lá PAD que agora fiquei mesmo curiosa...

      (Essa de deixarem as crianças correr nos restaurantes.... As pessoas terão noção do perigo? Não percebo...)

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    2. Pipocante Azevedo Delirante27 de outubro de 2014 21:11

      Ser pai é o que é.
      Como tudo, tem os seus momentos.
      O que posso dizer? Que às vezes me chateia ter de levantar o lombo da cama a meio da noite? Que me mata quando o Mini-me tem febre e eu não posso fazer nada? Que anteontem tive uma enorme vontade de ir fazer running às 22.37, e não pude porque o petite ficaria em casa sozinho? Quere preferia ir ver um filme do que o espectáculo dos Caricas?
      So what?...

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    3. Pois... Foi o que eu disse à S* sobre o que é ter filhos... É o que é!

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  11. O original já me tinha passado aqui pelos olhitos e nao lhe achei grande graça (os solteiros anseiam as sextas-feiras ??? Pfff) agora o teu, o teu pôs-me um sorriso no trombil que há-de durar o dia inteiro!
    Boa, miúda!

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    1. :))) "trombil"?? Uma carinha tão linda como a tua, meu doce? Não pode ser...

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  12. Prémio nobel para os inventores das toalhitas.
    Completamente de acordo.
    AB

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    1. Não são espetaculares?? Eu ando sempre com elas atrás de mim...

      (Diga-me que a AB é a "anónima boa" da antiguidade e eu atiro-me para o chão a rir...)

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  13. O artigo diz a verdade e nada mais que a verdade. Sou mãe e confirmo.

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    1. É um texto humorístico mas sim, diz algumas verdades diz... :DD

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  14. Aqui moi mãe de duas só tenho a dizer que adoro as sextas mas também adoro as segundas. E confirmo tudo. E não trocava por uma vida sem filhos. Bom, às vezes, assim umas horas.

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    1. Isso... Umas horas... Tipo 15*24h ou assim... :DD

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