terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Duas coisas que me apetece dizer sobre isso da "civilização"...

E que se me ocorreram a propósito de um comentário que deixei aqui, disto (na Alemanha) e disto (na Suécia). 

Se aquilo do elevador acontecesse na terrinha onde nasci e cresci, terrinha essa em cujo distrito os níveis de iliteracia envergonham, terrinha essa de gente bruta e pouco civilizada, diriam os doutos da cidade grande... Nessa terrinha, dizia eu, o fdp que violentasse uma mullher num elevador dessa tal terrinha... Levava que contar, ah pois levava... E quem diz "o que contar" diz uns valentes safanões... Só assim naquela, para aprender que não se bate aos mais fracos... Apostaria que o racio seria de 1 para 53, mas de gente que NÃO reagiria (e reagir não significa, obviamente, confrontar fisicamente o agressor; significa, por exemplo, gritar à saída do elevador, procurar polícia, qualquer coisa...). Mas pronto... Isso será, certamente, coisa de gente pouco civilizada...

E depois também me lembrei que no meu tempo, saída da tal terrinha com 18 anos recém feitos para ir estudar para a cidade grande, sozinha num apartamento - com grandes liberdades vêm grandes responsabilidades e eu sempre o soube... Mas dizia eu - arre que isto hoje a mente escapa-se-me com facilidade e tivesse eu vagar passava aqui a noite a escrever, que aos 18 anos viajava muito, às sextas ao fim da tarde para um lado e ao Domingo à noite no sentido inverso... Também ia a outros sítios. Sempre de transportes públicos. Fartei-me de passear caraças.... Mas, dizia eu, que quando viajava de comboio os meus pais e o meu namorado da altura (agora meu orgulhoso marido) sempre me diziam: "Procura uma carruagem com militares... Podes ouvir umas bocas... Vais certamente ouvir umas bocas... Mas podes ter a certeza que nada de mal te acontece. Eles ajudam-te se precisares..." E toda a gente sabia que os "tropinhas"... Bom... Os tropinhas não primavam pelo... hum... saber estar... Toda a gente sabia que os "tropinhas" era gente... pouco civilizada, no fundo.

E quando penso nisto... Quando penso que há um tipo de almejada "civilização" que mais não é que um umbiguismo autista... Não... Esse tipo de "civilização" eu dispenso. 

Acho que consigo educar os meus filhos para que umas bocas não lhe façam mossa no carácter, já o educá-los para viverem numa sociedade em que ninguém lhes estenderá a mão se eles precisarem... Porra... Isso eu não consigo!

19 comentários:

  1. Nê, na minha adolescência, tive que andar de camioneta para ir estudar. Os seus "tropinhas" eram os meus "magalas". Vinham das aldeias do interior, eram "rudes" na postura e no palavreado. Mas mesmo assim, preferia viajar perto deles do que estar junto de certos "doutores". Às vezes ouvia um piropo ou outro, (na altura nem sabia o que era assédio) nunca me senti incomodada (outros tempos, outros piropos). E foram estes "magalas" que um dia me salvaram de uma situação complicada. Lá está, eram gente humilde e "broncos", mas incapazes de ter uma atitude menos própria.
    (Só comentei por causa da coincidência dos "tropinhas" e dos "magalas", é que este assunto já deu muito que falar).
    Beijinho.

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    1. Acrescento à Pê que já me vi numa situação em que 2 drogados me tentaram agarrar numa festa e foram precisamente os rapazes mais porcos (de língua, que eu detestava precisamente pelo seu linguajar) que me vieram ajudar, me fecharam na casa-de-banho para me proteger, lhes deram um arraial de porrada e, no final, me vieram buscar e levaram-me a casa. Garantiram que eu ficaria bem, protegeram-me e não me mandaram boca absolutamente nenhuma ou sequer se aproveitaram da situação - no meio disso os meus "amigos" fugiram a sete pés assim que me viram numa situação complicada.

      Algo do género aconteceu a uma amiga minha que se perdeu na praia numa festa de verão (ela acha que foi drogada pois diz que não bebeu álcool mas não se lembra de nada e ficou com uma espécie de ressaca) e um grupo de rapazes que não a conhecia de lado nenhum em vez de abusar dela, de se aproveitarem, ficaram com ela [enquanto ela só dizia "pf não me façam mal"] e deram-lhe um dos telemóveis deles para que ela pudesse telefonar a alguém de confiança para a virem buscar.

      Acho que já se vê uma grande diferença entre uma grande cidade e pequenas populações - nas últimas há sempre mais gente disposta a dar a mão. Diria até que as pessoas em meios pequenos ajudam tanto quanto comentam a vida alheia :D.

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    2. Querida Pê, ainda não vi este assunto falado na bloga.... (Mas também tenho tido muito trabalho e os miúdos adoentados pelo que não tenho lido quase nada.) Um beijinho e já sabe que aqui é sempre muito bem vinda a opinar sobre tudo o que lhe apetecer. :)

      Anônima, mas o normal seria acontecer isso com a tua amiga... Ser homem não é sinônimo de ser predador...

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    3. Querida Nê, o assunto a que me refiro é o do assédio. Desculpe se não me expliquei bem.

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    4. Pensei que se referia ao ninguém querer saber... Mas já vi que não... Referia-se AO assunto, claro... :) Outro beijinho.

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    1. Estou com a Picante: Gosto de ti.

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    2. A ser fofinhas? Hum... E as meninas estão a beber exatamente o quê? ;D

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  3. Meia dúzia de palavrões e meia dúzia de piropos assim meio abacorados nunca fizeram mal a ninguém, as vezes até fazem bem ao ego.

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    1. Eu dispensava-os! Não gosto. (Olha, deste-me ideia para um post...)

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  4. Pipocante Irrelevante Delirante3 de dezembro de 2014 09:29

    A sociedade hoje é cada um por si.
    Por mais "socialistas" que sejamos, o indivíduo está acima do grupo.
    Chama-se solidariedade.
    Pequenos gestos.
    Pode ser salvar alguém da morte, pode ser ceder uma cadeira a um aleijado.
    Hoje isso da solidariedade passa mais por encher um saco no banco alimentar, ou correr por uma causa, e assim limpar a consciência.

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    1. Sim... Hoje em dia é tudo em bonito e limpinho e com fotos para o instagram... Likar mil e quinhentas causas no facebook e cagar de alto para o sem abrigo que nos dorme à porta... Pqp... Não tenho arcabouço para isto....

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  5. NM, se me permite, eu também tenho duas coisas para dizer a este propósito.

    1. acho que já todos percebemos os pontos de vista de um lado e de outro. Continuar a insistir no assunto não vai evangelizar ninguém, não vai acrescentar nada e só vai eternizar a fanatização com que isto está a ser debatido.

    2. Acho que ninguém disse que a solução é não se estender a mão a quem precisa. Eu pelo menos não vi isso em lado nenhum.

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    1. Mas está a falar do quê?? E eu estou a dizer, ou a insinuar sequer, que alguém a disse o contrário? Vê neste post algum "recado" a alguém? Eh pah... É que se vê o problema é seu, não meu que eu não o escrevi com essa intenção... Isto está a tomar proporções de paranóia colectiva é o que é... (Veja lá se no post das romãs não há ali nenhum recadinho implicito sobre o assunto do piropo...)

      Falo da desumanização da sociedade vem-me falar de nem sei bem o quê...

      (E mais lhe digo que não tenho "lado"... Tanto mais que na última troca de comentários sérios que vi até percebi coisas que até então não tinha percebido... Mas pronto... Não abri a boca sobre o assunto e continuarei sem o fazer... Mas isso é um pormenor sem importância, ora é? Eu sou das que nem precisa de dizer nada, não é? Pronto então..)

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    2. E agora desculpe-me o tom com que lhe respondi.

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  6. Nê querida!
    A quantidade de miúdos que ouvia no recreio.
    E gente a passar que não fazia nada!
    Gente que tinha mais responsabilidade que nós, duas miúdas a brincar aos crescidos!

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    1. E nunca virámos a cara, pois não? A nossa orientadora era crescida e também não o fazia, pois não? Olha babe... Que nunca sejamos das que viram é o que te digo...

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    2. Mesmo! E que os nossos tb aprendam a ser assim!

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  7. Eu tenho medo de mim. Quando assisto a discussões fico cega e vou sempre intervir, perguntar se é preciso chamar a polícia.
    Até hoje tem corrido bem... vamos ver se algum dia me sai a sorte grande. ..

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