sábado, 4 de fevereiro de 2017

NM refere-se a si própria na terceira pessoa e pede desculpa por isso. (Deve ser dos nervos.)

NM abandona o seu posto de trabalho a meio do dia para ir buscar o seu filho mais velho à escola, em consequência de este ter vomitado.
NM, já em companhia de seu mui abatido filho, estranha a porta de seu pequeno prédio estar só no trinco, e não fechada à chave tal como combinado com os vizinhos, mas não valoriza. NM fecha a porta do prédio à chave.
NM entra em casa e cumprimenta D. Albertina, sua empregada. Filho de NM pega no seu tablet e voa para o sofá.
Em menos de cinco minutos batem à porta. NM espreita e vê um estranho que lhe explica que estava a fazer um biscate no 1º andar e que agora se queria ir embora mas que não conseguia sair porque a porta do prédio estava fechada à chave, se alguém lha podia ir abrir. D. Albertina oferece-se para tal. Dois minutos depois aparece D. Albertina esbaforida, que tinham estragado a porta de entrada, que não abria. Estranho colado a ela. NM olhou estranho nos olhos e percebeu que este estava psicotropicado, se é que a palavra existe. Irrefletidamente e para manter o estranho longe do ninho, NM sai, fecha a porta de casa, leva a mão ao bolso a confirmar que leva telemóvel e pede ao criador que seu filho esteja mesmo absorto lá no seu jogo e que se deixe ficar sossegado dentro de casa, sem se aperceber que estava sozinho.
NM junto à porta da rua, com fechadura estropiada, toma consciência que está barricada dentro de seu prédio, com estranho psicotropicado, com empregada que não parava de o confrontar com as suas incongruências e com um filho de seis anos doente quatro andares acima. NM lembra-se que não estava nenhum carro na garagem e que, provavelmente, não estaria mais ninguém no prédio. NM voa escadas acima a bater a todas as (quatro) portas e confirma que não, de facto não está mais ninguém no prédio.
NM mantem a calma. NM mantem o estranho calmo e faz sinal à D. Albertina para se manter calma, sem confrontar nem fazer perguntas. 
NM lembra-se que existe um martelo quebra vidros ao lado das caixas de correio, para ser usado em situações SOS tal como aquela estava a ser. NM tem medo de não conseguir partir o vidro, de magoar alguém ou de o estranho passar a usar o tal martelo como arma. NM pensa enquanto vai dando palpites soltos de como a D. Albertina e o estranho hão de conseguir abrir a porta. Façam força aqui, façam força ali, agora para cima... "Talvez ligar aos bombeiros... Mas se vêm os bombeiros vem polícia..." NM fala em polícia para ver a reação do estranho. Estranho não reage. Enquanto estão entretidos aos safanões à porta NM esgueira-se uns degraus e liga ao 112. NM pensa no filho e pede ao criador que ele não lhe apareça ali naquele momento.
Chega a polícia. Estranho olha esgazeado para NM e D. Albertina, mas nada diz. Continua a tentar abrir a porta. NM passa a chave a um polícia pela abertura da ventilação. Faz sinal a outro a pedir contacto por telefone. Polícia mostra número a NM. NM sobe uns degraus e explica em tom baixo a situação. O segundo polícia sempre a falar com o estranho, para puxar a porta, para empurrar, agora não, agora para cima... Suponho que, pouco mais estivesse a fazer que a mantê-lo ocupado. Polícia acalmou NM, que nada de mal aconteceria agora que eles estavam ali. NM disse que não sabia se o estranho estava armado, que não estava mais ninguém no prédio e que estava uma criança sozinha num determinado andar. O que quer que acontecesse era preciso ir saber logo da criança. NM estava aparentemente calma mas tinha a clara sensação que a situação se podia descontrolar a qualquer momento e por um qualquer clique.

Polícia não conseguiu abrir a porta. Os bombeiros sim.

NM fraquejou das pernas quando viu a porta aberta, e mal o estranho foi manietado NM voou escadas acima a saber de seu filho. Filho de NM dormia (?) profundamente no sofá. Tablet caído no meio do chão. E esta, hein? NM desceu e abraçou D. Albertina, mais conhecida por nem-nem-nem (nem ouve, nem cheira, nem limpa), e recordou porque a mantinha vai para 10 anos. D. Albertina não abandonou NM por um segundo, conseguiu controlar os nervos, conversou e distraiu o estranho enquanto me ausentei para ver se havia mais gente no prédio e para ligar à polícia. D. Albertina é uma mulher com os tomates no sítio. D. Albertina tinha sido, na verdade, mulher para arrumar o estranho com dois pares de lambadas bem assentes. Acho que aquilo das "mulheres do Norte" se deve a mulheres como ela.

O estranho não estava armado nem nenhuma casa tinha sinais de arrombamento. Mas estranho foi levado preso porque tinha um mandado de captura pendente.

Já a situação estava perfeitamente controlada e NM tremia ao falar com os bombeiros. NM tremia ao falar com a polícia.

NM ainda treme agora, passadas 24 horas, ao pensar no que podia ter corrido mal.

18 comentários:

  1. Desculpe anónimo, rejeite-lhe o comentário sem querer. Isso do "biscate" era treta. Percebemos logo. A vizinha do primeiro está fora de Portugal e de facto andou com obras há pouco tempo, por isso é que não me pareceu tão estranha a primeira hipótese e abri a porta. Não a tinha visto, mas às vezes podia ter querido fazer mais obras... Não sei. (Mas é muita coincidência ele ter vindo com essa história das obras naquele andar específico.) O que deve ter acontecido foi que alguém deixou a porta só no trinco ou mesmo encostada e ele entrou a ver o que se passava. Mas eu cheguei a seguir e fechei-o dentro do prédio. Como o prédio é muito pequeno, ele deve-me ter ouvido e deve ter querido fugir. Como a porta estava fechada à chave não conseguiu. Não sei que raio de ferramenta usou mas deu cabo da fechadura e da porta... (Ele disse que aquilo tinham sido umas pessoas que o viram ali preso e o tentaram soltar com um arame e um ferramenta "não sei quê", mas isso era impossível porque por fora a porta estava normal, nem riscada estava, e via-se perfeitamente que aquilo tinha sido feito por dentro. Mas enquanto esperava pela polícia eu lá lhe ia dizendo que sim senhilora...)

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  2. Estava para aqui a pensar numa história rocambolesca sobre como tinha ficado fechada fora de casa e dentro do prédio mas tu é tudo à grande. Com um bocado de azar ainda vais testemunhar sobre o crime horrendo a que o "psicotripado" cometeu no primeiro andar. Para ele era apenas um biscate.
    Beijinhos e um abraço apertadinho.

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    1. Ahahahahah ah esse tipo de biscate não se me ocorreu não.. :DD fogo, deixa-me lá... Apanhei cá um cagufo que nem te conto.

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  3. Carais, mulher! E o Jr. lá em cima.... Arre porra. Já respiras normalmente? A sexta feira 13 passou para dia 3?

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    1. Já passou e tudo está bem quando acaba bem.

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  4. Cara NM,
    Espero que tenha recuperado. A situação que relatou podia ter sido muito complicada. Felizmente estamos em Portugal e não nos USA...
    Por outro lado, fechar a porta do prédio à chave viola a lei (segurança contra incêndios), pela simples razão de que em caso de incêndio pode não haver como fugir...
    No prédio onde vivo, quando estou no Porto, os condóminos adoravam fechar a porta à chave à noite, sendo que a mesma estava invariavelmente aberta durante o dia porque ninguém se dava até trabalho de verificar se a deixava fechada...
    Até ao dia em que, em Assembleia de condomínio, ameacei que chamava a polícia na próxima vez que as minhas visitas tivesse que sair pela entrada de serviço...

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    1. Pois viola, bem sei. Mas a nossa entrada é muito escondida. E toda a gente acordou e cumpre. É de facto uma excepção encontrar a porta só no trinco. E temos lá o tal martelo quebra vidros. Numa situação de emergência dá para sair.

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    2. Mas entretanto e depois desta situação já falámos em mudar a porta para uma melhor que minimize a possibilidade de entrada por fora mas que dê para ficar no trinco. Vamos ver as hipóteses que temos...

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    3. Agora, tendo em conta que se estragou a fechadura, não podem substituir por uma que só abra de dentro sem chave mas por fora seja sempre obrigado usá-la?

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    4. Seria preciso trocar de porta para pôr outro tipo de fechadura. Esta já tem um reforço de aço por fora e a verdade é que se estiver fechada à chave não conseguem entrar (ou não têm conseguido, pelo menos)... Os apartamentos têm porta blindada e das três ou quatro vezes que nos entraram no prédio (sempre de dia) nunca conseguiram entrar dentro das casas e o estrago foi sempre unicamente o da porta da entrada do prédio.

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  5. Visito a Palmier, teve um acidente. Visito a Ne tem um estranho no prédio
    Caramba! Foi uma sexta feira difícil! Felizmente não aconteceu nada.
    ( eu quando estou nervosa até bato os dentes)

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    1. As famosas sextas feiras 3... ;)

      (Eu fico com dor de pernas...)

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  6. NM, e a garagem não era solução? Não era possível fazê-lo descer à garagem, abrir a porta e livrar-se dele? Assim foi melhor, acabou por ir muito bem acompanhado pela polícia, mas contornava o tremendo risco que correram todos.

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    1. Não dá. A garagem e o prédio têm entradas independentes. Eu ali só tinha a alternativa de tentar partir o vidro (mas tive medo de me magoar, de não conseguir partir o vidro ou que ele me tirasse o martelo das mãos e se virasse contra nós), tentar fugir para casa (mas tive medo que agarrasse a D. Albertina que foi a quem ele se colou) ou tentar ligar à polícia.

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  7. Bolas, que se eu fosse do Norte dizia já uma grande asneira!!!

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