sábado, 7 de janeiro de 2017

Mas a todos direi que desapareceu porque explodiu. Talvez até me convença disso.

Sendo-me os outros o reflexo daquilo que eu me sou, triste será o dia em que perder a capacidade de me desiludir. Terá sido esse o dia em que deixei o meu ego finar-se à míngua.

Da possessividade.

[NM] Deixa... Deixa-me limpar-te o nariz...

[Baby, a querer fugir-me] Nãaaaooo!

[NM] Mas não, porquê? Explica-me lá.

[Baby] Puque os macacos xão meus...

(...)

E agora que penso já o Jr. não me queria deixar lavar o pote onde fez o seu primeiro cocó porque, lá está, o cocó era seu e eu não tinha nada que o deitar fora.

Hum... 
Estarei a fazer alguma coisa de errado? 
Vou ali debruçar-me sobre o assunto e já volto.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

De se poder sempre piorar.

[NM] Qual é o teu melhor amigo da escola? Dos meninos novos....

[Jr.] Hum... Acho que o Frango.

[NM] Frango?! Tens um menino na escola que se chama Frango?!!! É apelido?

[Jr.] Não. Ele chama-se Francisco. Nós é que lhe chamamos Frango. 

[NM] Hã?!?

[Jr.] Sim, não vês? Fraaan-cisco. Fraaan-go. Começam igual. E agora ficou conhecido assim. Toda a gente lhe chama Frango.

(...)

Estou capaz de apostar que a mãe do Francisco chegou a ponderar o nome da criança com medo que o tratassem por Xico.


Dão-se alvíssaras...

A quem me encontrar a inspiração.
É pequenina e discreta.
Na verdade mal se dá por ela, mas é a que tenho e parecendo que não faz-me falta.

Pode estar enfiada em qualquer buraquinho.  Olho aberto, portanto.


quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

O futebol, ai o futebol...

Ainda a propósito das palavras feias.
O Jr. e o Baby na sala e eu logo ali na cozinha. Sem ter percebido o que aconteceu só ouço:

[Jr.] OH POÇA!!!

[Baby] Isso não se diz...

[Jr.] Diz, diz! A mãe deixa quando estou zangado.

[Baby] Mas pôga não... Pôga não se diz...

[Jr.] Não, porra não... Porra só se pode dizer no futebol.

(...)

Eu?! Eu quedei-me a pensar que outras regras por mim desconhecidas existirão em minha própria casa.

Às Quartas, mas só às Quartas, o cansaço do meu marido tem tipologia.

Ontem chegou a casa um caco, tarde e a más horas, a queixar-se que estava exausto, que tinha trabalhado como um cão. Tremor nas pálpebras e olheiras quase até à boca. Estava tão mas tão cansado que só se queria deitar cinco minutos antes de... sair para o futebol!

"Mas vais jogar futebol assim tão cansado?"

"Oh sim... Este meu cansaço não é desse tipo..."

(...)

Estaria capaz de apostar que este mesmo cansaço o incapacitaria de ir às compras ou até de ir pôr o lixo à rua, mas pronto...


segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Um grande bem haja para ti, "Godigo"!

O meu filho mais novo é um animal social. Fala com toda a gente. Diz olá, sorri, mete conversa, pergunta "como te chamas", "quanto anos tens" (e é engraçado ver o embaraço dos adultos que normalmente assobiam para o lado mesmo comigo a fazer-me de distraída como quem não está a ouvir a conversa), "o que é isso" e diz que a saia/vestido/blusa (tudo que seja espampanante e capaz de ferir a vista a qualquer um) "é muito munito"... Enfim, onde quer que vá com ele, é certo e sabido que povo que exista a menos de cinco metros de nós lhe fica a saber o nome e que trago comigo o recado de que tenho um filho muito simpático. E tenho, sim senhor.

Estávamos nós os dois numa sala de espera, com ele por ali cirandar e a lançar charme. Já toda a gente se metia com ele e ele lá andava nas suas quintas.

De repente um dos seus animais cai para debaixo de uma cadeira e ele sai-se com um assertivo e sonoro: "OH, PÔGA!"

Eu, surpreendida porque de facto nunca lhe tinha ouvido tal, digo indignada o seu nome... Acto continuo, e consciente que o tiro me podia perfeitamente sair pela culatra (porque afinal os meus móveis têm esquinas, gosto de andar descalça, tenho - tcharan!, dedos nos pés, e a conjugação destes factores resulta-me por vezes num valente "Porra!", resulta sim senhor) arrisco: 

"Baby?!?!! A quem é que tu ouviste isso?". 

Responde-me ele... 

"Ao Godigo da escola!". 

Continuo eu, sem vacilar e a pensar na sorte que tinha acabado de ter: 

"Ai, ai, ai... Essas coisas não se dizem... E a professora não ralhou com o Rodrigo?". 

"Galhou!", respondeu ele. "Pois ralhou, porque isso não se diz..."

(...)

Ufa... Cá beijinho, Rodrigo!

E agora, com vossa licença, vou ali jogar no Euromilhões.