sexta-feira, 11 de julho de 2014

Ele há coisas que me bulem com os nervos...

E maus tratos e negligências com crianças estarão no top daquilo que me tira do sério.

Pois então que ontem foi dia disto: Educadora que queimou bebé condenada a trabalho comunitário, e disto:
CP?! E vergonha na cara, não?

Relativamente ao primeiro fico a pensar que é negligência a mais... Que 60º C é água mesmo muito quente e que me custa muito a acreditar que pôr e tirar IMEDIATAMENTE uma criança da água causasse queimaduras de 2º grau... (Mas posso estar enganada... A criança era muito pequenina e a fragilidade cutânea nessas idades é extrema...) No entanto, o que mais me choca foi o não se ter prestado auxílio imediato, tendo-se tentado disfarçar o que aconteceu. Errar qualquer um erra, já não reagir de imeadiato ao erro será só para quem não tem coluna vertebral...

No segundo caso chocou-me uma das responsáveis pelas crianças (PM, na imagem abaixo) ter ido alardear para o FB que a CP isto e a CP aquilo, como se não fossem as educadoras as responsáveis pelas crianças.

 

Admira-me sempre, mas SEMPRE, a incapacidade das pessoas olharem para si antes de apontarem o dedo a terceiros. Se esta educadora (bem, na verdade não consegui perceber se era educadora ou auxiliar ou outra coisa qualquer, mas apenas que era responsável por um grupo) em particular tinha consciência que as crianças não viajavam em segurança, abandonava a composição, pondo as crianças a salvo, e responsabilizava a CP pelo sucedido, reclamando em sede própria. Mas não... Tendo tudo corrido, felizmente, sem danos de maior, a senhora achou por bem ir espingardar toda valente para o FB sem se ter ao dado ao trabalho (??) de fazer uma queixa formal primeiro (mas diz num comentário mais à frente que vai fazer, quando alertada para isso). 
Mas que raio de mentalidade é esta, senhores? Mas andará tudo doido? E entre estas coisas eu lembro-me que neste preciso momento o meu filho está na praia à responsabilidade de pessoas em quem confio. Deparasse-me eu, mãe, com esta situação, com esta irresponsabilidade e falta de auto-crítica, e o circo pegava fogo... Vos garanto que pegava!

De resto... Fico a pensar como é possível, numa sociedade tão moderna e tão civilizada como gostamos de nos considerar, as pessoas que trabalham com crianças não serem certificadas... Ok, as educadoras tiram uma licenciatura (não sei se ria se chore ao pensar que alguém pode achar que isso, por si só, dá algum tipo de validação à capacidade real de alguém para lidar com crianças, mas pronto!). Mas e as auxiliares - aquelas que de facto tomam conta dos bebés com menos de 1 ano e das outras crianças nos cuidados mais "físicos"? Que tipo de certificação têm essas pessoas? (Estou a perguntar mesmo...)

E uma coisa leva-me a outra e fico aqui a pensar que a dignidade e nobreza de um povo poder-se-ia muito bem medir pela forma como trata os mais fracos - crianças, doentes e idosos. E depois fico a pensar se não deveria haver um mecanismo de Medicina do Trabalho que avaliasse as capacidades humanas de quem trata dessas pessoas... 

E não preciso de pensar muito para ter a certeza que devia! Tanta legislação, tanta treta sem sentido, tanta exigência picuinhas, para as condições físicas e materiais que um infantário ou lar de terceira idade tem de ter, para depois haver todo um deserto para a avaliação das capacidades de quem, de facto, cuida das pessoas. Caramba... Não me faz sentido!

8 comentários:

  1. Respostas
    1. Til, um arquitecto não tem de ser "humano". Já uma educadora ou uma enfermeira...

      Excluir
  2. Já disse o que penso sobre isto. Esteve mal quem vendeu mais bilhetes do que os lugares de que dispunha e esteve mal quem permitiu que os meninos viajassem assim.
    Mas parece que mostar indignação no FB é suficiente, assim uma espécie de lavar as mãos, como fez Pilates. "eu não concordo nada, mas se a CP acha bem, então que viagem assim". Eu sei que os miúdos iriam chorar baba e ranho se tivessem de ficar em terra, mas reclamavam e iam noutro dia, voltavam para a escola, brincavam com água das mangueiras no páteo que também seria divertido. Ninguém obrigou a professora a viajar assim, a todo o momento ela poderia ter dito que não queria e sair da carruagem com as crianças. Afinal as condições não seriam assim tão inaceitáveis, tanto que acabou por aceitá-las.
    Mas parece que o importante é vir ao FB dizer que está mal, muito mal (ainda que a responsabilidade, quem tinha a capaciade de decidir se os meninos deviam seguir ou não, fosse da pessoa em causa).
    Felizmente correu tudo bem, mas e se corresse mal. Se mandassem a senhora saltar para um poço ela saltaria?

    ResponderExcluir
  3. Eu concordo plenamente contigo e fico chocada pelo facto de nos comentários à foto ninguém ter tido o discernimento de ter questionado a dita educadora. Aliás no grupo do FB de leiria depois de alguém ter comentado a partilha da dita foto a questionar precisamente como é que as educadoras permitiram esta situação alguém escreveu o seguinte comentário:
    "E vamos logo atacar as professoras! Óbvio que isto não pode nem deve acontecer...Mas se reservaram, pagaram, os miúdos iam preparados e empolgados para irem para a praia, o que se ia fazer?(retórica) Ao depararem com aquilo as professoras iam dizer aos meninos que assim não podiam ir!... A CP quer é o comboio a andar, os bilhetes estavam pagos, e o comboio arrancava.. os miúdos ficavam na estação, era melhor? Por amor da santa, todos sabemos como as coisas são, pois logicamente não se devia facilitar, mas facilita-se.. os acidentes acontecem, pois acontecem.. Mas ás vezes é uma questão de bom senso e NÃO DESATAR LOGO A CULPAR PROFESSORAS/ES.. Nem sou professor, e sim tenho uma filha e sou extremamente responsável por ela... Isto do facebook somos todos uma cambada de espertalhões a comentar.. na generalidade.."

    E eu fico tipo "What????" então mas quem é que era responsável por aquelas crianças????

    Quanto ás auxiliares, nos privado não sei mas nas pré publicas a grande maioria são POC's, ou seja pessoas desempregadas que o centro de emprego coloca ali sendo que a unica coisa que lhes perguntam é se gostam de crianças. E acho que isto diz tudo

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Era responder a essa pessoa que disse que era inadmissível atacar logo as professoras, que também me parecia atacar logo a CP.
      Muito gostam as pessoas de ampliar dramas no FB. Fazer a reclamação formal, junto da empresa de transportes e no livro de reclamações, é que 'tá quieto. Até vi pessoas a dizerem "põe a boca no trombone, vai para a comunicação social!". Quando as pessoas preferem o "imediatismo" e mediatismo das redes sociais e da comunicação social, dispensando o percurso legalmente previsto (reclamação formal e eventual recurso aos tribunais), fico preocupada.
      Ficavam em terra, pois ficavam. Qual é o mal, a praia vai acabar?

      Excluir
    2. Sem palavras... Isto deixa-me sem palavras. Já o disse uma vez na Picante, tenho a certeza que não ter conta no FB me faz muito bem aos nervos...

      Excluir
  4. Eu acho que as educadoras deviam ser responsabilizadas por isto, não há grande coisa a acrescentar, tudo dito no post.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Pois, eu também acho. Mas em vez de olharem para o que fizeram/podiam ter feito foram queixar-se para o FB...

      Excluir